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gt do hazard

gt do hazard
>editado pela staff: esse gt contém quase 3 mil linhas e é o maior gt hospedado aqui até o momento.
/CC/
VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO
>ano 2010
>eu era criança
>não entendi muito bem como tudo aconteceu
>eu lembro do clima ficar estranho
>primeiro na tv noticiavam tempestades
>falavam pra gente não sair de casa
>no começo ventava muito
>depois viam os raios
>mas nada de chuva
>depois vieram os meteoros
>e tudo mudou
>ano 2024
>14 anos depois da guerra
>14 anos depois deles invadirem nosso planeta
>eu não lembro de muita coisa
>eles colocam alguma coisa na água que nos faz esquecer
>não sei minha idade
>não sei meu nome
>agora somos todos chamados por números
>a única coisa que eu não esqueço, não por minha vontade, é do meu trabalho
>acordei com o barulho do alarme
>eles eram espalhados por toda a cidade
>nos avisava a hora de acordar pra ir trabalhar
>eu morava em um apartamento bem pequeno
>só tinha uma cama de solteiro, um guarda roupas bem velho e as câmeras
>tinha câmeras em todo lugar
>por toda cidade
>nos eramos vigiados o tempo todo, não só pelas câmeras
>nas ruas haviam os guardas deles
>aparentemente eram humanos vestidos como robôs
>uma farda preta
>botas, luvas e coletes feitos de um material que eu não sabia qual era
>e o mais assustador era o capacete, dois olhos vazios brilhavam azul, como um fantasma
>usavam um tipo de respirador, como se fosse uma máscara de oxigênio
>carregavam um bastão de choque e uma pistola
>também tinham os soldados que guardavam a cidadela
>esses aparentemente tinham uma blindagem maior e carregavam metralhadoras
>as armas dos soldados eram como armas normais daqui da Terra, só que melhoradas com a tecnologia deles
>a voz que saia de dentro do capacete era grave e parecia vinda de um rádio
>não dá pra saber se realmente eram robôs, humanos ou sabe se lá o que
>além dos guardas, uma espécie de máquina voadora rondavam a cidade
>várias delas
>eram pequenas esferas, do tamanho de uma bola de futebol, que filmavam e tiravam fotos de tudo e de todos
>não tinha certeza se aquilo era pra vigiar a gente ou os soldados
>quando o alarme tocou eu levantei
>coloquei meu uniforme
>ninguém mais usava roupas, todos vestiam o mesmo uniforme com o nosso número de identificação
>segui para o trabalho
>eu vivia numa cidade grande
>era muito bonita, mas eu não sabia identificar onde realmente era
>não lembrava de onde eu vim nem como fui parar ali
>não sabia nem qual país eu estava
>aliás, não existem mais países
>tudo foi colonizado por eles
>só o que restou foram números
> em regiões estratégicas foram montadas cidades
>e dentro das cidades tinham uma cidadela
>que era o centro de controle de toda a cidade e da região
>onde eu vivia era a cidade 11
>o que dava a entender que antes da minha existiam mais 10
>e sabe lá quantas mais outras tinham
>todos saíram das suas casas
>seguiam para o trabalho como formigas
>a comunicação era a minima possível
>a conversa não era permitida
>que contrariasse levava surras ou simplesmente eram mortos
>nós eramos escravos
>em todo lugar haviam guardas
>chegando em certa parte do caminho as pessoas foram se dividindo
>nem todo mundo trabalhava no mesmo lugar
>como a conversa não era permitida eu não sabia o que os outros faziam
>eu trabalhava na metalúrgica
>fazia peça pra armas, veículos e sentinelas
>eu sabia o que eram sentinelas porque no dia da invasão eu vi muitos deles
>engraçado que, de certas coisas eu não tinha esquecido
>chegou a hora do almoço
>eles serviam uma coisa que parecia ração e água
>eu sabia que comendo aquilo eu não conseguiria pensar direito
>mas era isso ou morrer de fome
>todo dia era assim
>eu não aguentava mais
>preferia morrer do que viver mais um dia feito um animal
>mas eu não podia demostrar emoções
>qualquer desconfiança de rebeldia eles sumiam com a pessoa
>certamente a matavam ou levavam pra fazer experimentos como fizeram com tantos outros
>o único barulho no refeitório eram das bocas mastigando
>me pegava pensando se alguém tinha aquele mesmo sentimento que o meu
>afinal, eles estão nos adestrando
>estão nos ensinando que a única coisa que a gente serve é pra trabalhar
>já é noite quando o trabalho acaba
>voltamos todos pra casa
>chego em casa tiro o uniforme e deito
>e de novo tenho o mesmo sonho:
>eu era criança
>estava com meus pais numa rua lotada de gente
>soldados do exército faziam um cordão de isolamento
>estavam evacuando algum lugar
>ouvia muitos gritos e choros
>e ao longe ouvia explosões e via clarões no céu noturno
>de repente alguma coisa cai do céu bem perto da gente
>a explosão matou muita gente ao redor
>eu caio no chão com o impacto
>meu pai me pega no colo e começa a correr
>não vejo minha mãe em lugar nenhum
>começo a chorar
>meu pai continua correndo
>entre o fogo e a fumaça vejo sombras saindo de dentro da explosão
>atiravam em todo mundo
>era uma cena horrível
>olho pro céu e vejo luzes
>era as naves deles
>milhares delas
>sobrevoavam lentamente por cima de nós
>os militares lutavam ferozmente contra aquelas coisas
>no chão e no ar
>mas era uma luta perdida
>as armas deles eram muito superiores
>meu pai correu por uma rua paralela
>demos de cara com um taque
>ele atirava contra uma coisa gigante
>não deu pra ver muito bem o que era por causa da fumaça e do fogo
>tinham muitos soldados deles nas ruas
>meu pai deu meia volta e tentou correr
>o tanque explodiu e a gente foi jogado longe
>ai eu vi o que tinha feito aquilo com o tanque
>era um sentinela
>um robô com formato humanoide de uns 4 metros de altura
>tinha nas mãos uma metralhadora igualmente grande
>os militares atiravam contra o sentinela mas as balas não surtiam efeito
>aquela coisa nos ignorou
>deu um pulo enorme, se segurou num prédio e pulou pra o terraço de outro
>jatos passavam a todo instante atirando contra as naves
>o sentinela começou a atirar contra os jatos que caíram facilmente
>levantei e chamei meu pai
>ele tava todo encharcado de sangue
>foi atingido
>olhei ao redor e eu tava em meio a um cenário de guerra
>naves enormes chegavam carregando mais sentinelas
>corri
>não sei pra onde
>só queria sair dali
>foi um milagre eu não te sido acertado por nenhum tiro
>tropecei em um corpo
>uma luz muito forte mirava em mim
>vinha de um lugar muito alto
>foi quando eu vi o maior coisa que eles tinham
>era maior que um prédio
>fez um barulho muito forte
>e eu acordei
>acordei com dois soldados me batendo
>perdi a hora, o alarme ja tinha tocado e eu continuei dormindo
>me defendi como pude
>aquela voz grave de um deles mandou eu me vestir e acompanha-los
>o estranho é que eles não falavam qualquer língua aqui da Terra, mas todos conseguiam entender o que eles diziam
>pensei que iam me escoltar até o trabalho mas me levaram pra um lugar diferente
> o medo me consumiu
>não resisti e perguntei pra onde tavam me levando
>e com aquela voz de ET ele disse:
> "Você foi escolhido pra contribuir com o avanço da ciência. Sinta-se honrado"
>sem pensar eu tentei reagir
>tentei correr
>mas com o bastão um deles me deteu
>me bateu tão forte que eu desmaiei
>acordei numa cela
>olhei ao redor e tinha mais algumas
>com outras pessoas dentro
>ninguém esboçava reação
>pareciam que já tinham aceitado seu destino
>morrer como cobaias
>sentei e comecei a chorar
>se fosse pra morrer que fosse de uma vez
>não
>não desse jeito
>escuto um barulho de porta abrindo
>um homem entra
>era um velho, vestindo um jaleco branco
>óculos de grau pendurados no pescoço
> " Eu vou querer esse aqui"
>falou apontando pra mim
>dois guardas abriram a cela e me pegaram
>como assim ?
>um humano dando ordens pros guardas ?
>eu gritei
>me sacudi tentando me livrar deles
>mais uma vez foi em vão
>eles me seguraram e o velho aplicou uma anestesia em mim
>apaguei
>acordei amarrado num mesa de cirurgia
>uma bolsa com um liquido azulado pendurada ligado por agulhas ao meu braço e ao meu pescoço tava ao lado da mesa
>eram vários tubos e agulhas
>não conseguia me mexer
>além de amarrado eu tava fraco
>apaguei de novo
>acordei na minha cela
>tinha um prato de ração e um copo de água me esperando
>meu braço tava cheio de curativos
>eu tava me sentindo estranho
>tentei comer
>vomitei
>tava muito fraco
>um forte dor de cabeça veio
>desmaiei de novo
>acordei com o barulho do alarme
>eu tava em casa
>meu braço estava normal
>foi tudo um sonho ?
>minha cabeça doía
>pus meu uniforme e fui trabalhar
>3 dias se passaram
>nada aconteceu
>continuei a ter dores de cabeça
>e meu ódio por eles só tinha aumentado
>fiquei me perguntando se tudo aquilo tinha acontecido
>um humano trabalhando com os alienígenas
>pensar naquilo só me deixava mais furioso
>era hora do almoço
>enquanto pensava no meu sonho esbarrei em um guarda
> "Olha por onde anda ! "
>e me bateu com o bastão
>eu caí
>ele virou as costas pra mim
>a raiva me consumiu
>me levantei me preparando pra dar um soco nele
>se eu fizesse era minha sentença de morte
>não pensei nas consequências
>no movimento que eu fiz com o braço pra trás uma mão me segurou
>era um homem
>devia ter uns 40 anos mais ou menos
>era alto, pele escura
> "2465" dizia seu uniforme
>assim que eu o olhei percebi alguma coisa diferente nele
>ele fez um sinal de não com a cabeça e me soltou
>foi tudo tão rápido que ninguém mais percebeu o que eu ia fazer
>só eu e ele
>ele pegou seu prato e caminhou até a mesa e sentou
>a partir daquele dia comecei a reparar no 2465
>todo dia na hora do almoço eu sentava algumas mesas depois da dele e fica o observando
>ele não tinha aquele olhar avoado que todos os outros tinham
>dava pra perceber que ele sabia de alguma coisa
>quase como se estivesse tramando algo
>os dias se passam
>minha vontade é de ir e tentar falar com ele
>mas o que eu falaria ?
>além disso se fossemos pegos conversando não quero nem saber o que eles iam fazer com a gente
>mais um dia de trabalho acaba
>estou no meu apartamento
>morava em um prédio de 10 andares
>o prédio todo era padronizado
>quartos pequenos pra caberem mais gente
>aquela parte da cidade era toda feita desses mesmos prédios
>os trabalhadores formigas moravam todos alí
>meu apartamento era no sétimo andar
>da varanda eu fitava a cidade
>ficava me perguntando o que o resto dos moradores fazia
>lembrei do médico do meu sonho
>pensando bem a prisão onde eu tava não parecia algum lugar aqui de fora dos muros
>devia ser dentro da cidadela
>mas como eu iria sonhar com ela se eu nunca estive lá
>a cidade era como qualquer outra normal
>em frente ao meu prédio tinha uma ferrovia abandonada
>trens, carros, aviões, nada mais funcionava
>e bem no centro da cidade tinha os muros
>a cidadela era como uma cidade só dos alienígenas
>tudo era feito de um material desconhecido
>desde os muros até as construções
>os prédios, se é que se podem ser chamados assim, tinha formatos irregulares
>não tinham janelas
>e era todos da mesma cor
>um azul bem escuro, quase negro
>tinha uma aparência de velho, apesar dos circuitos e fios que saiam por toda a parte
>no centro da cidadela tinham 3 prédios igualmente maiores que os demais
>fios ligavam os 3 com o resto da cidadela
>era como uma favela extraterrestre
>ao longe dava pra ver o mar
>ou o que restou deles
>máquinas imensas sugavam a água
>o ar era poluído
>a atmosfera era acinzentada
>estavam matando nosso planeta aos poucos
>chega outro dia
>estou no trabalho
>era hora do almoço
>estou na fila da comida
>2465 passou e esbarrou em mim
>caí no chão e ele me ajudou a levantar
>todos os guardas olharam em nossa direção
> "Me desculpe"
> e saiu andando novamente
>depois disso o dia foi normal, como todos os outros
>chegando em casa
>tiro meu uniforme
>um papel cai no chão
>fiquei assustado
>mas não podia demonstrar
>as câmeras continuam a me filmar
>deixei o uniforme cair
>abaixei pra pegar e peguei o papel junto
>deitei na cama e me virei de lado
>fiquei de costas pra câmera
>abri o papel e meu coração foi a mil
> estava escrito com letras bem feias, como se quem escreveu estivesse acabado de aprender
>" Você não está sozinho "
COMPANHIAS INDESEJÁVEIS
>uma semana se passou desde que recebi a mensagem do 2465
>minha curiosidade estava me matando
>vinha tentando fazer pelo menos algum contato visual com ele
>mas ele agia como se eu não existisse
>o que me deixou um pouco frustrado
>a dor de cabeça voltara
>alguns dias depois
>saindo do trabalho vejo o 2465 seguindo por um beco
>ele não estava indo pra casa como todos os outros
>resolvi seguir ele
>tinha em mente que ia ser a ultima coisa que eu iria fazer na vida
>2465 se esgueirava por becos e vielas
>olhava ao redor e via que ali quase não tinham câmeras
>e as que tinham certamente tinham um ponto cego
>algo me disse que aquilo não era por acaso
>2465 devia ter estudado religiosamente essa região pra saber disso
>perdido em pensamentos, perdi 2465 de vista
>foi quando vi um clarão atrás de mim
>era o flash da câmera daquelas esferas voadoras
>merda, eu fui descoberto !
>a minha reação foi correr
>entrei em um beco próximo e dei de cara com dois guardas
>eles tinham suas pistolas apontadas pra mim
> "Deita no chão !"
>mas eu sabia que se eu ficasse ali eles ia me matar
>ouvi dois disparos
>um guarda caiu
>2465 saiu do meio da escuridão com uma pistola
>o outro guarda falou alguma coisa que eu não entendi e atirou
>2465 pulou pra trás de uma lixeira
>o guarda veio se aproximando e atirando
>não sei o que me deu que eu corri e acertei um soco no guarda
>ele se afastou com o golpe e mirou a arma em mim
>quando me dei conta da besteira que tinha feito, 2465 foi mais rápido e disparou contra o guarda
>2465 veio até mim e disse:
> "Eu sabia que você era diferente. Venha, eu tenho que te mostrar algo"
>eu estava tão em êxtase que eu não conseguia nem falar
>minhas mãos tremiam
>ao longe sirenes começaram a tocar
>ao lado do beco que nós estávamos tinha uma grade que dava pra rua
>dois carros chegaram
>não era exatamente carros, pareciam camburões
>mas eram bem maiores, quase do tamanho de um trator
>e eram blindados
>saíram quatro guardas de cada carro
>começaram a atirar em nossa direção
>eu e 2465 começamos a correr
>um deles entrou no carro e passou por cima da grade
>mas o beco era muito estreito pra entrarem de carro e tudo
> a nossa perseguição foi a pé
>viramos em outro beco
>rápido o suficiente pra ouvir os zunidos das balas passando atrás de nossas cabeças
>quase chegando de volta pras ruas, na lateral do prédio tinha um homem na porta fazendo sinal pra gente
> " Vamos, entrem aqui ! Rápido ! "
>sem pensar duas vezes entramos
>o homem fechou a porta e pôs o corpo na frente impedindo a abertura
> "Vão continuem, eu atraso eles ! "
>estávamos no térreo do prédio
>tinha um elevador e vários lances de escadas
>era obvio que o elevador não funcionava
>fomos subindo de escada
> nos corredores várias pessoas estavam nas portas dos seus apartamentos
>ouvimos um barulho forte vindo do térreo
>seguido de disparos
>os guardas tinham entrado
>2465 parou no vão da escada e começou a trocar tiros com eles
>um mulher saiu no corredor:
> "Aqui, entrem aqui ! "
>entramos no apartamento dela
>ela fechou a porta e botou a cama na frente
> "Aqui, pulem pela janela ! "
>a janela dela era de frente pra um terraço de um prédio menor, há uns 2 metros de distância
>2465 foi na frente e pulou feito um gato
>eu hesitei
> "Vem logo ! "
> " Não sei se eu consigo" eu disse
>eu estava apavorado
> " Pula, eu vou te segurar !"
>tomei coragem e fui
>mas não tomei distância suficiente
>se 2465 não tivesse me pegado eu teria caído
>ele me suspendeu com alguma dificuldade
>olhei pro apartamento e vi os guardas arrombando a porta e atirando friamente na mulher
>corremos pelo terraço
> " Vamos pra ferrovia, lá a gente consegue despistar eles ! "
>a gente estava num prédio que era anexo de um armazém abandonado
>antes da guerra aqui devia ser alguma fábrica ou coisa do tipo
>mas o problema era como a gente ia descer
>os guardas já tinham pulado pro terraço
>o prédio era um pouco mais alto que o telhado do armazém
>corremos ate ali e fizemos a parede de escudo
>começou uma intensa troca de tiros entre 2465 e os guardas
>eu não tinha mais o que fazer fiquei só abaixado
>vi que no telhado tinha um buraco
>o armazém estava caindo aos pedaços
>quando cheguei perto do buraco o telhado cedeu
>cai de costas em um plataforma de madeira
>meus pulmões ardiam
>não conseguia respirar direito
>os barulhos de tiro não paravam
>me levantei e percebi que tinham escadas
>comecei a descer
>de repente um barulho de explosão
>pedaços do teto caem
>2465 cai em cima da plataforma
>ele vem correndo e manda eu descer mais rápido
>mas não dava pra ver direito onde eu tava pisando
>era noite e as únicas luzes que entravam eram dos buracos no teto
>conseguimos descer
>reparei que os guardas tinham parado de perseguir a gente
>esse cara matou 8 guardas sozinho ?
>saímos do armazém
>andamos por uns 20 minutos até chegarmos aos trilhos do trem
> "Você pode me explicar o que tá acontecendo ?" eu disse
> "Claro, mas primeiro me diz, do que você se lembra ? Sabe como veio parar aqui na cidade ?
> " Na verdade não me lembro de quase nada "
>quis falar sobre o meu sonho mas achei melhor não
>ele tirou alguma coisa do bolso e me deu
> " O que é isso ? "
> " É um chocolate, coma. A comida deles deixam a gente confuso, isso vai te fazer se lembrar das coisas melhor"
>comi enquanto andávamos
> "Pra onde estamos indo ?"
>"Pra fora da cidade, vou te levar pra umas de nossas bases"
>" Mas porque você me salvou deles ?"
>" Eu percebi que você era diferente, deu pra ver no seu olhar que você não virou só mais um operário adestrado, e é de pessoas assim que precisamos"
> " Calma ai cara, eu não entendo, precisa pra que ?"
> "Ora, pra se juntar ao nosso grupo, vamos tomar nossa cidade de volta"
>um frio na barriga veio
>como assim tomar a cidade ?
>eles eram mais poderosos que a gente, tinham armas e tecnologia
>mas por outro lado esse cara sozinho matou 10 guardas
>se os outros forem assim como ele poderiam ter alguma chance
> " Quantos vocês são ?" perguntei
> " Não sei o número exato, estamos espalhados ao redor do mundo. Eles só venceram a batalha, a guerra ainda continua..."
>"Estamos vivendo escondidos só a espera do momento oportuno. Quando eles chegaram nós não tivemos chance, não conhecíamos nada sobre sua tecnologia, mas o maior erro deles foram fazer nós construirmos suas armas. Entendemos como funcionam e agora usamos a nosso favor..."
>era muito informação pra eu acompanhar
>esse tempo todo existia uma rebelião iminente
>fiquei em silencio
> "Como você se chama ?" ele me perguntou
> "1711" eu disse
>ele riu
> " Qual seu nome de verdade, filho ?"
>e foi ai que eu percebi que eu não sabia, a lavagem cerebral que eles faziam nos deixavam muito confusos
>como a pessoa não consegue lembrar nem do próprio nome ?
> "Eu não... Eu não me lembro..." falei com vergonha
> " Tá certo, vou te chamar de 17 por enquanto e a propósito, meu nome é Hashid "
>já era madrugada quando chegamos nos limites da cidade
>a cidade ficava no litoral
>mas onde um dia foi o mar agora era apenas um grande deserto
>ao longo da orla tinha casas e docas
>todos abandonados
>marcas no chão indicavam que há um tempo atrás ouve alguma batalha
>era como se uma bomba tivesse explodido e só deixasse a cidade intacta
> " Pra onde a gente tá indo exatamente ?"
> " Vamos seguindo até encontrar o farol, há uma pequena vila. Lá que a nossa carona está"
>andamos por quase uns 20 kilometros por uma estrada de terra até avistar o farol
>fiquei surpreso de como as coisas eram calmas fora das cidades
>nenhum sinal de vida
>as poucas casas que tinham ao longo do caminho estavam caindo aos pedaços
>parecia que a população só vivia nas cidades
>ou simplesmente quem vivia fora foi exterminado
>Hashid percebeu minha aflição e parece que leu meus pensamentos
> "Durante a guerra muitos morreram..." falou como se tivesse acabado de ter um devaneio
> " E os poucos que sobraram foram forçados a trabalhar, construir essas cidades..."
>"hoje em dia só quem vive fora das cidades somos nós e alguns refugiados sortudos. Os poucos que conseguem tentam sobreviver aqui do lado de fora, mas como você pode ver eles estão matando nosso planeta. Viver da natureza está ficando cada vez mais difícil, até pra nós mesmos..."
>estávamos perto do farol
>o terreno era irregular
>estávamos subindo uma colina e o farol ficava numa depressão abaixo de modo que de onde nós estávamos só dava pra pra ver o topo do farol
>" Vamos falta pouc....." um barulho muito alto interrompeu Hashid
>uma nave enorme em formato de V passou por cima de nós carregando alguma coisa
>estava escuro e não deu pra ver direito mas eu sabia o que era
>eu e Hashid subimos a colina correndo até chegar ao topo e ver que uma batalha estava acontecendo entre guardas e rebeldes
>mas as coisas acabam de piorar
>a nave solta o carregamento e era justamente o que eu pensava
>o sentinela cai agachado e se levanta com toda sua imponência
>o robô humanoide gigante
>em seus ombros soldados estavam pendurados como macacos em um árvore
>a batalha estava sendo travada na pequena vila no pé do farol
>devia ter uma dúzia de rebeldes contra uns 20 guardas
>junto com o sentinela chegaram mais 5 soldados
>os soldados eram claramente mais poderosos
>usavam fuzis invés de pistolas e sua blindagem era mais robusta
>os guardas usavam os carros/camburões, que provavelmente foram como chegaram ali, de cobertura
>os rebeldes estavam espalhados entre as casas e os becos da vila
>a troca de tiros era intensa
>mas o alvo mudou dos guardas para o sentinela
>o sentinela avançou atirando com sua enorme metralhadora
>um disparo daquela arma partia um corpo ao meio
>os rebeldes começaram a recuar
>cada vez mais sofrendo baixas
>Hashid correu em direção a batalha e sumiu
>os guardas me viram
>corri em direção as casas pra me esconder
>o barulho dos disparos do sentinela era ensurdecedor
>ecoava por toda a vila
>corri em meio aos tiros
>pedaços de tijolo voavam
>os rebeldes se dividiram
>uns ficaram nas casas enfrentando os soldados
>outros correram em direção ao farol tentando atrair o sentinela
>eu fiquei no meio do fogo cruzado com os guardas
>fiquei atrás de uma pequena mureta que dividia duas casas
>senti minha perna queimar
>tinha sido atingido
>estava sangrando
>minha visão começou a ficar turva
>deitei no chão
>vejo três vultos no telhado de uma casa próxima
>era Hashid e mais dois rebeldes
>um deles estava com uma metralhadora muito grande, daquelas pra abater aviões
>Hashid e o outro estavam com lança-foguetes nas mãos
>o cara da metralhadora começou a atirar contra os guardas e soldados
>muitos deles nem viram da onde vieram os tiros
>os soldados recuaram
>os rebeldes avançam contra eles
>os rebeldes eram em menor número mas eram mais organizados
>atiravam, se cobriam, recarregavam, avançavam
>e eu no meio do tiroteio sangrando
>o sentinela já estava mais afastado da batalha
>ainda estava caçando os rebeldes que se esgueiravam pelos becos próximo ao farol
>Hashid atirou contra o sentinela
>o foguete acertou suas costas
>o sentinela cambaleou e virou em direção a batalha novamente
>ele se preparou pra atirar de novo e foi acertado por outro foguete do outro rebelde
>ele caiu
>seus circuitos estavam expostos
>a blindagem ja estava amassada
>saía fumaça de sua cabeça
>todos os guardas foram eliminados
>todos os tiros se concentravam no sentinela
>ele tentava levantar mas era impedido pelo impacto dos disparos
>saía um liquido azulado dos buracos das balas
>Hashid disparou mais uma vez de cima do telhado
>o foguete acertou em cheio o peito do sentinela
>a cabeça e um dos braços explodiram juntos
>uma poça do liquido azulado se fez
>era espesso
>lembrava sangue
>o sentinela parou de funcionar
>todos comemoraram
>" Ei, temos um sobrevivente aqui ! " gritou alguém perto de mim
>" Você está bem ?" era uma voz feminina
>não dava pra saber porque todos eles se vestiam iguais
>roupas esfarrapadas, cobertos da cabeça aos pés
>usava uma jaqueta com capuz e uma mascara tapando metade do rosto
>só os olhos apareciam
>e que belos olhos
>eram verdes como esmeraldas
>ela abaixou a máscara e eu pude ver melhor seu rosto
>apesar da sujeira sua pele era branca
> " Já volto" ela disse
>e voltou com uma pequena caixa de primeiros socorros
>Hashid falava pros outros rebeldes:
> "Recolham tudo o que puderem, vamos partir logo. Se continuarmos aqui vamos ter mais companhias indesejadas"
>enquanto a moça fazia curativos na minha perna eu via os rebeldes recolhendo as armas dos soldados
>ouvi barulho de carros
>mais rebeldes chegaram em carros tipo jeep
>eram 3 carros
>me ajudaram a subir em um deles
>"Hashid, vamos levar esse aqui ?" falou um rebelde apontando pro sentinela
> " Não temos tempo, é melhor partirmos logo"
>subiram todos no carro e partimos
>a moça que fez meus curativos estava do meu lado no carro
> " Porque me encara desse jeito ?"
> " É que você é... diferente..."
>acho que ela não entendeu direito e fechou a cara pra mim
>o vento frio da madrugada batia no meu rosto
>estávamos indo pela costa
>uma mistura de ansiedade e medo me invadiam
>e eu mal podia esperar pelo que me aguardava
LAURA
>eu era criança
>lembro de tentar trocar de canal e estar passando a mesma coisa em todos os canais
>uma mulher falava coisas que eu não entendia muito bem
>invasão, ataques, evacuação, guerra...
>e nas imagens mal gravadas mostravam homens estranhos atirando contra as pessoas
>robôs gigantescos pisavam nelas
>tinham uns homens armados vestidos de verde que atiravam nos outros homens estranhos
>minha mãe desligou a TV
> “Vamos filho, seu pai já acabou de pegar nossas coisas”
> “Mas pra onde nós vamos mãe ?”
>minha mãe se ajoelhou e me abraçou
>percebi que ela estava muito nervosa
>” Vamos nos esconder Hazard, aqui não é mais seguro”
>acordei
>tinha lágrima nos olhos
>sempre que sonhava com meus pais acordava assim
>levantei da cama
>a maioria dos beliches estavam vazios mas alguns ainda dormiam no quarto
>estava muito dolorido
>o treino de ontem foi puxado
>5 meses se passaram desde a batalha no farol
>estou numa base avançada dos rebeldes
>esse lugar é incrível
>a base fica no subterrâneo de um observatório abandonado
>no meio de uma floresta bem afastada da cidade
>daqui pra cidade leva um dia todo de carro
>milagrosamente essa floresta sobreviveu ao ataque
>longe das cidades o clima era mais leve
>aqui temos um pequeno exército
>somo treinados pra batalha todos os dias
>esse lugar é incrivelmente grande
>vários andares em baixo da terra
>cientistas trabalham o tempo todo pra decifrar a tecnologia dos invasores
>aqui tem todo um arsenal de guerra
>com armas terrestres, alienígenas e hibridas
>tem também vários veículos
>carros,helicópteros e sentinelas
>sim, foi o que mais me impressionou
>eles tem seus próprios sentinelas
>até agora eu não entendi muito bem o que eram essas coisas
>olhando assim desativados parecem só robôs gigantes
>mas depois que eu vi um em funcionamento mudei de ideia
>parece uma mistura de ser vivo com máquina
>tipo uma androide
>seus movimentos não são como de maquinas
>apesar do tamanho são ágeis e fazem movimentos leves
>tem braços e tronco ligeiramente longos
>a blindagem recobre todo o seu corpo
>e eles meio que sangram um sangue azul
>a cabeça lembra o capacete dos soldados mas com aqueles olhos fantasmagóricos
>lembra a lente de uma câmera
>os sentinelas dos rebeldes tinham a blindagem pintada de preta, assim como nossos uniformes
>e só aqui descobri que eles não tinham vida própria e sim eram pilotados
>as costas se abriam, braços e cabeças se afastavam e mostravam uma espécie de cabine
>os cientistas conseguiram adaptar os comandos para humanos
>e era um híbrido de sensores mentais e comandos manuais
>e os pilotos eram escolhidos a dedo
>não era qualquer um que podia pilotar
>o piloto tinha que "sincronizar" com o sentinela pra fazer funcionar
>Laura era a piloto com as taxas de sincronismo mais altas
>logo era a piloto mais habilidosa
>assim como qualquer outra que ela fazia
>tiro e artes marciais eram suas outras especialidades
>ela estava na batalha do farol e foi ela que fez curativos na minha perna
>mas de qualquer jeito eu tive que operar
>hoje em dia já estou recuperado
>Laura media uns 1,68 aproximadamente
>era magra, corpo atlético
>ruiva
>olhos extremamente verdes
>impossível de esquecer aqueles olhos
>outra coisa que tinha percebido que tanto aqui quanto na cidade a etnia das pessoas era muito diversificada
>Hashid me disse que os invasores fazem rodízio de pessoas entre as cidades pelo mundo
>e que provavelmente eu já deva ter passado por umas cinco antes de chegar na 11 onde ele me resgatou
>Hashid era nosso instrutor de tiro
>Laura me dava aulas particulares de luta toda noite
>durante o dia eu também trabalhava na oficina
>consertava os carros
>e outros tipos de serviços
>hoje estávamos acoplando as metralhadoras antisent nos carros blindados
>as metralhadoras de alto calibre eram chamadas assim por eles
>apesar do lança-foguetes ser a arma mais eficaz, a antisent fazia estragos consideráveis nos sentinelas
>hoje os ânimos estão mais animados
>vai ter uma reunião a noite pra escalar quem vai na missão de amanhã
>é muito provável que eu vá, já estou aqui a um tempo e nunca fui em uma
>confesso que estou um pouco aflito
>o dia passa devagar
>começa a anoitecer e as luzes começam a se acender
> a base usava a energia de um pequeno reator nuclear
>cortesia dos nossos amigos invasores
>muito coisa aqui nessa base não seria possível se não fosse a tecnologia deles
>ja era noite
>era hora do meu treinamento particular de luta
>nós treinávamos nos jardins
>era uma área mais perto da superfície
> totalmente natural
>era como uma sala enorme feita de rochas
>e no teto havia um grande buraco por onde entrava a luz do sol
>embaixo os rebeldes fizeram uma horta enorme
>plantando todo tipo de legumes e frutas
>e como estávamos numa floresta a vegetação crescia ali também
>agora só o que iluminava o lugar era a luz da lua
>Laura gostava de treinar ali porque era calmo e silencioso
>e eu gostava pelo fato de simplesmente estar a sós com ela
>mas ela não me via do jeito que eu a via
>ela só me treinava a sós porque dizia que eu era um bom aluno
>e eu levava jeito pra luta
>as vezes fazíamos competições entre os rebeldes e eu sempre ficava em segundo lugar
>Laura era imbatível
>" Você está atrasado" ela disse quando eu cheguei
> "Hoje tiveram mais carros pra consertar"
>" Você sabe que eu odeio quando você se atrasa"
>" Isso é desculpa sua pra me bater sério"
>ela riu
>e eu me desmanchei todo
>ela era muito linda
>as vezes pensava em contar pra ela o que eu sentia
>mas achava que ela ia rir da minha cara
>estamos em plena guerra com alienígenas e eu querendo saber de romance
>guardei pra mim
>fizemos uns aquecimentos
>apostamos uma corrida
>deixei ela ganhar
>outra coisa que descobri
>eu era rápido
>começamos o treino
>comecei dando alguns socos e ela se desviava facilmente
>ela tinha a pose de uma lutadora de tae kwon do
>e chutava muito bem
>num momento de descuido levei um chute no peito
>caí sentado
>" Cara, vamos levar isso aqui um pouco mais a sério. Eu sei que você ta pegando leve"
>ela se inclinou pra me ajudar a levantar
>olhei por dentro da blusa e vi parte dos seus seios
>não pude evitar
>seu corpo atraia meu olhar como um imã
> "Foco Hazard !" ela disse rindo com o canto na boca
>não pude evitar de ficar constrangido
>continuamos a luta
>ela fazia o mesmo truque e eu sempre caia
>eu chutava ela e abaixava a guarda propositalmente
>ela se aproximava rapidamente e me socava
>eu desviava do soco e preparava um gancho com ela totalmente desprevenida
>só que sempre ela era mais rápida que eu e me dava uma rasteira
>já lutamos várias vezes e eu sempre caia
>caí de costas no chão
>ela subiu em cima de mim e ameaçou um soco
> " Me recuso a acreditar que toda vez você cai nessa haha"
> " Eu sempre me esqueço como você é ágil com os pés"
>ela se levantou e me ajudou a levantar
> "Vamos, senão vamos nos atrasar pra reunião"
>passei no dormitório e tomei um banho
>a sala de reuniões era alguns andares mais abaixo
>peguei o elevador junto com Hashid
>descobri que Hashid era um membro muito importante pros rebeldes
>além de treinar e resgatar refugiados ele era um dos cabeças que organizam as missões
>a maioria das missões era de resgate de refugiados ou atacavam alguma fábrica dos aliens pra roubarem equipamentos e materiais
>e pelo tanto de armas e tecnologia que tinham ali eles já fazem isso a um bom tempo
>a missão de amanhã era essa
>íamos interceptar um trem e saquea-lo
>Chegamos na sala
>Laura ja estava lá
>Hashid se juntou a um homem lá na frente
>Baltazar era o nome dele
>ouvi histórias que ele era do alto escalão do exército do seu país
>mas que como todos os outros também foram subjugados pelos invasores
>Baltazar era alto, devia ter quase 2 metros de altura
>ele usava um casaco meio esfarrapado mas ainda assim seus músculos se sobressaiam
>ele era branco e tinha a cabeça raspada
> "Nossa missão é simples" falou com rigidez
> " Mas haverão de ter muitos deles, e a carga é muito importante para nós e para eles também. Se amanhã tivermos sucesso estaremos a um passo de retomar a cidade !"
>e todos rugiram
>a sala era grande
>deviam ter umas 60 pessoas ali
>ele mostrou um mapa na parede e explicou o plano em detalhes
>ficamos lá por algumas horas
>quando a reunião acabou todos saíram
>eu tinha sido escalado pra missão e confesso que estava um pouco aflito
>hoje poderia ser meu último dia vivo
>subi pra superfície
>estava nas ruínas do observatório
>dava pra entender porque construíram um observatório no meio da floresta
>aqui fora da cidade o céu era bem mais limpo
>fiquei lá um tempo olhando as estrelas
>eu sempre tive ódio deles, sempre quis reagir
>mas porque agora eu estou tão inseguro ?
>" As vezes quando quero ficar sozinha também venho pra cá "
>pulei de susto
>era Laura
>ela encostou no mesmo parapeito que eu estava
>" As vezes lá em baixo é insuportável, você sempre ta rodeado de gente" falou ela acendendo um cigarro
> "Onde você arranjou isso !?" perguntei com surpresa
> " Falando com as pessoas certas você consegue de tudo por aqui"
>o cheiro do cigarro me incomodava mas ver ela ali fumando era o máximo
>"Sabia que hoje pode ser nosso último dia vivo nesse planeta de merda ? "
>" Era justamente isso que eu pensava"
> "A causa pode ser nobre mas eu não quero morrer sendo feita de cobaia ou adestrada feito um cachorro"
>lembrei do sonho que tive
>" Sabe, saber que eu posso estar morta amanhã me faz querer aproveitar o pouco tempo que provavelmente me resta"
>ela botou a mão em cima da minha
>meu coração foi na garganta
> "É agora" pensei
>ela deu uma ultima tragada no cigarro e jogou fora
>apesar do gosto de cigarro a boca dela era macia e molhada
>ela pegou minhas mãos e botou na cintura dela
>deve ter percebido que eu estava meio perdido
>afinal nunca tinha estado com uma mulher nessas circunstâncias
>ficamos nos beijando por um tempo
>ela pegou minha mão e botou por dentro das calças dela
>e botou a dela nas minhas
>começou a tirar a roupa
>ver ela nua a luz da lua foi a visão mais linda que eu tive na vida
>e ai eu entendi o que ela quis dizer
>eu ali com ela, pela primeira vez em anos, me sentia vivo !
A APOSTA
>estávamos todos nos preparando enquanto Hashid dava os últimos detalhes sobre a missão
>já estavam todos uniformizados
>eu pegava algumas munições na mesa e colocava na minha mochila
> " Quem vai querer fazer a aposta ?" disse Robert chegando a sala
> " Tem certeza que vai querer apostar de novo ? O ultimo recorde ainda é meu haha " Noah falou se vangloriando
> " Hoje eu to com um pressentimento de que eu vou ganhar de você !" Robert disse
> "Lá vem vocês de novo com essa aposta idiota" era Laura
> " E é obvio que hoje eu vou ganhar"
>eu observava na minha
>eles falavam da aposta que começou a um tempo atrás
>quem matava mais invasores em missão
>o dono do recorde era Noah
>com 13 mortes de guardas em uma missão de resgate nos limites da cidade
>nunca vi Noah em ação
>mas ele superou Hashid que matou uns 10 quando me resgatava na cidade
>eu já achava Hashid um fenômeno, imagina do que esse cara era capaz
>Noah era o tipo de cara que você facilmente conseguiria imaginar usando uma farda
>o soldado perfeito
>ele era um pouco mais alto que eu e tinha o corpo atlético
>não questionava as ordens
>não queria saber o porque nem pra que
>seu lema era "missão dada é missão cumprida"
>ele fazia sucesso com as mulheres daqui
>não só com as mulheres
>pra ser sincero o cara era realmente bonito
>Robert era um dos poucos amigos que fiz
>o cara fazia piada com tudo
>muitas vezes chegava a irritar
>Laura sempre batia nele
>ele aparentava ser mais novo que eu
>tinha muitas espinhas no rosto
>usava um cabelo de lado meio lambido
>" Pessoal vamos levar isso aqui um pouco mais a sério. O sucesso hoje é de grande importância !" disse Hashid
> " Eu quero fazer outra aposta" disse Robert
>"Aposto que o Hazard vai ser o primeiro a levar um tiro !"
>todos riram
>inclusive Hashid
>senti meu rosto queimar
>eu também ri apesar de achar que realmente era isso que iria acontecer
>repentinamente a risada parou
>Baltazar tinha entrado na sala
>chamou Hashid num canto e ficaram conversando por alguns instantes
>a missão era a seguinte:
>íamos interceptar um trem de carga na entrada de uma pequena vila abandonada perto do litoral
>só agora revelaram que a carga eram dois reatores nucleares desmontados
>e obviamente desativados
>o que me deixou mais preocupado ainda
>bastaria um tiro pra na melhor das hipóteses sermos expostos a radiação
>os informantes disseram que os reatores da cidadela estão falhando
>esses eram os substitutos
>o que os cientistas rebeldes iriam fazer com aquilo eu não sabia
>nós não tínhamos muita informação além do que nós precisávamos
>fomos divididos em três equipes de cinco pessoas
>na minha equipe além de mim estavam Noah, Robert, Perséfone e Hashid na liderança
>me surpreendi quando soube que Baltazar iria liderar outra equipe
>Laura estava na equipe dele
>além de Laura e Baltazar tinha mais um piloto e dois snipers
>Ron era o outro piloto
>um dos poucos homens que pilotavam um sentinela
>não sei se é por coincidência mas as mulheres tinham taxas de sincronismo mais altas nos sentinelas
>a outra equipe era liderada por uma mulher chamada Júlia, que eu conhecia só de nome e outras quatro pessoas que eu só reconhecia de rosto
>depois de tudo preparado e explicado saímos
>Laura e Ron foram junto com os outros de carro
>os sentinelas eram rebocados pelos carros
>usavam um tipo de anexo grande o suficiente pra caber um sentinela
>tipo aqueles pra transportar barcos
>obviamente eles iam deitados
>estávamos a caminho
>Perséfone foi sentada do meu lado no banco de trás
>ela era outra linda
>tinha quase a mesma altura que eu
>o cabelo era negro e cacheado
>tinha a pele bronzeada
>seu corpo era magro e seus seios eram fartos
>mesmo naquele uniforme preto ela era linda
>era o tipo de mulher que eu me apaixonaria facilmente se já não fosse pela Laura
>ainda mais depois de ontem
>apesar de hoje ela agir como se nada tivesse acontecido e não ter dado a foda pra mim
>Perséfone usava o cabelo amarrado pra trás com um rabo de cavalo
>sempre ouvia os rapazes na base falarem sobre ela
>muitos já tentaram alguma coisa com ela, inclusive Noah que me olhava do banco da frente como se lesse meus pensamentos
>mas até hoje ninguém conseguiu
>pelo menos é o que dizem
>além de seus atributos físicos
>ouvi dizer que também era uma ótima soldado
>o mais curioso era que ela usava um besta invés de um fuzil como o resto de nós
>o que eu achei meio idiota
>e era um besta enorme mas os arcos retraiam
>fiquei ansioso pra ver ela em ação
>depois de 2 horas chegamos na vila
>a ponte era maior do que eu pensava
>a vila ficava num planalto perto do litoral
>não sabia de onde os trilhos viam mas com certeza iam em direção a cidade
>abaixo da ponte um grande precipício se alongava
>e lá em baixo se via o que um dia devia ser um riacho
>no horizonte as máquinas continuavam a sugar a água do oceano
>o mar recuou tanto que se via muitos navios encalhados e rochas que um dia estiveram submersas
>essas máquinas soltavam um tipo de fumaça na atmosfera
>o horizonte era cinza e sem vida
>um vento gelado começou a soprar
>nos dividimos e nos organizamos na entrada da vila
>Baltazar e seus snipers ficaram no alto
>Baltazar ficou na janela de um pequeno prédio e os outros no telhado de uma casa do outro lado da rua
>Laura e Ron já estavam nos sentinelas
>mas eles eram muito grandes pra se esconder entre as casas
>ficaram pendurados nas rochas embaixo da ponte
>nossos carros estavam equipados com as metralhadoras Antisent
>ficamos posicionados estrategicamente
>dois carros ficaram entre os becos da vila
>outro ficou do lado oposto da ponte escondido em um matagal
>e era nesse que eu estava
>só eu e Robert
>eu manejava a Antisent e Robert estava no volante
>ficamos esperando por meia hora quando o trem chegou
>eu estava tremendo
>quando avistaram o trem um dos snipers atirou com um lança-foguetes na ponte
>o trem veio freando lentamente até quase cair no buraco que o míssil fez
>era a hora
>da cabine do maquinista saíram dois guardas
>rapidamente foram abatidos pelos snipers
>o barulho do tiro ecoou pela vila
>um silêncio sinistro tomou conta do lugar
>portas se abriram nos vagões mais atrás
>e ai fomos apresentados aos super soldados
>ou SS's como eu ouvi nas muitas histórias sobre a cidadela
>eles já sairam atirando pra todos os lados
>estavam na minha mira mas eu não podia atirar
>podia mandar tudo pelos ares
>eles eram uma cópia dos sentinelas só que em tamanho de uma pessoa normal
>ou o sentinelas eram uma cópia deles
>a única diferença era que no capacete só tinham um único olho vermelho
>e as armas que eles usavam eram uma extensão de seus braços
>como se fossem implantadas cirurgicamente
>a cadência dos tiros das armas deles eram muito superior
>a velocidade de disparo era enorme comparado com nossas armas
>começou uma intensa troca de tiros
>e os rebeldes atiravam com cuidado pra não acertar o trem
>os SS's eram rápidos e ágeis
>os snipers tinham dificuldade pra acerta-los
>cada vez mais saiam dos vagões
>meu dedo coçava pra apertar o gatilho
>os rebeldes eram muito organizados
>aos poucos iam abatendo mais SS's
>as Antisent's eram as maiores responsáveis pela vitória parcial
>os SS's decidiram avançar
>eles eram rápidos e difíceis de acertar quando em movimento
>apesar do buraco enorme na ponte eles foram pulando facilmente pro outro lado
>de repente, sem ninguém perceber eles já lotavam a ponte
>e foi ai que o jogo foi virando
>os SS's foram diminuindo o espaço e obrigaram os rebeldes recuar
>pensei em começar a atirar mas o risco de acertar algum aliado era grande
>os rebeldes se espalharam
>e começou uma perseguição
>os rebeldes se guardavam como podia mais estava ficando mais dificil
>eles eram muitos
> " Hazard, tive uma ideia !" falou Robert
>ele deu ré no carro e saiu do matagal
>os SS's nos avistaram e começaram a atirar
>era minha deixa
>comecei a atirar de volta
>o recuo da arma era grande mas eu tentava manter as mãos firmes
>fui abatendo as fileiras de SS's até chegar na beira do precipício
>Robert abaixou e tirou um lança-foguete do chão do carro
>mudei a direção dos tiros pra dar cobertura a Robert enquanto ele mirava
>ele atirou num prédio na entrada da vila que desmoronou e levou alguns SS's junto com o resto da ponte
>passar pro outro lado já não era mais possível
>o lado bom é que a quantidade de SS's do outro lado os rebeldes eram capazes de enfrentar
>e o ruim é que a maioria ficou desse lado comigo e Robert
>quando já tinha me esquecido deles eles pularam pro nosso lado
>Ron e Laura com seus sentinelas
>eles pisavam e atiravam com os fuzis enormes dos sentinelas
>Robert entrou na luta
>e eu continuei a atirar com a Antisent
>os SS's não tinham chance alguma contra dois sentinelas
>eles começaram a recuar
>Ron disparava freneticamente
>Laura fazia questão de pisar e chuta-los
>eu recarregava a Antisent quando um SS se aproximou sem eu ver
>antes dele pensar em atirar, alguma coisa o acertou com tanta foça que o atravessou
>olhei da onde veio o tiro e vi do outro lado da ponte Perséfone com sua besta enorme
>ela fez uma pequena continência pra mim e voltou a luta
>duas das melhores soldados estavam ali lutando comigo
>e uma acabou de salvar a minha vida
>antes de eu entender direito o que tava acontecendo
>vi um SS correndo pra um vagão mais afastado do trem
>e atrás desse vagão tinha um vagão de carga
>e carregava uma coisa aparentemente muito grande
>estava coberta por um tipo de toldo
>amarrado com cabos de aço nas laterias do vagão
>uma luz brilhou embaixo do toldo
>e um barulho muito forte soou
>como um motor ligando
>os cabos de aço começaram a arrebentar um por um
>o toldo caiu e revelou o que estava embaixo
>é muito difícil descrever aquilo que eu tava vendo
>a primeira vista pensei que era uma máquina
>um drone enorme
>mas ai ele começou a se mexer
>era mais uma daquelas coisas que você não sabe se é maquina ou algum ser vivo
>lembrava um inseto gigante
>mas tinha a blindagem como dos sentinelas
>e bem no meio do dorso tinha um vão em forma de circulo que girava uma grande hélice
>em baixo tinham buracos que brilhavam azul
>como turbinas de jatos
>aquela coisa fez um barulho muito alto
>quase como um grito
>ele era todo articulado
>ventos muitos fortes saiam de suas "turbinas"
>como ele estava próximo do chão levantou muita poeira
>decolou
>aquilo voava incrivelmente rápido
>ele deu uma volta grande pelo litoral
>quase chegando na água
>e veio com tudo em direção a vila
>veio com um rasante atirando em tudo que via pela frente
>os sentinelas atiravam
>mas era difícil de acertar
>ele voava em todas as direções
>atirei também mas foi em vão
>Robert carregava o lança-foguetes preparando outro míssil
>ele começou a voar baixo pelas ruas da vila
>as balas dos rebeldes eram inúteis
>o sniper com o lança-foguetes já era
>me preocupei com Hashid
>Robert manobrou o carro
>tinha o inseto gigante na mira
>atirei
>não surtiu muito efeito
>só consegui chamar a atenção dele pra nós
>ele flutuou um pouco mais pro alto
>vi alguma coisa se mexendo na parte de baixo daquilo
>de repente ele lançou um projétil na nossa direção
>só deu tempo de pular do carro que foi pelos ares com a explosão
>minha visão estava turva
>um estilhaço fez um corte feio no meu braço
>caído procurei por Robert
>ele estava desmaiado e tinha sangue no seu rosto
>fui me arrastando até ele
>Ron e Laura deram um jeito de pular com o sentinelas pro outro lado da ponte
>trocavam tiros freneticamente com inseto
>mas claramente estavam levando a pior
>o sentinela de Ron vazava muito do liquido azulado
>de Laura estava um pouco amassado mas estava bem
>o inseto deu uma investida no sentinela de Ron que caiu de costas no chão
>ele atirou com o mesmo projétil no sentinela de Ron
>sangue azulado pintou as paredes das casas
>Ron ja era
>o inseto voou novamente e deu a volta sobre a vila
>Laura atirava no vento
>o inseto tentou fazer a mesma manobra
>veio de frente e investiu contra o sentinela de Laura
>o sentinela largou seu fuzil e agarrou com as duas mãos o inseto
>ao mesmo tempo que atirava ele tentava empurrar o sentinela precipício abaixo
>e o inseto levava vantagem
>mesmo fazendo força o sentinela de Laura estava sendo arrastado
>de repente uma explosão
>o mesmo projétil de antes
>acertou o sentinela em cheio
>vi em câmera lenta o sentinela voando e caindo no precipício
>" Não ! " eu disse
>me levantei cambaleante
>aquilo não podia acontecer
>estávamos com os melhores soldados e estávamos sendo massacrados
>e a Laura tinha acabado de perder sua vida tentando impedir aquela coisa
>Vi Hashid num carro percorrendo as ruas atirando com a Antisent
>Perséfone ainda lutava com SS's
>ela estava sem sua besta
>mas estava com uma pistola magnum
>que fazia tanto estrago quando a besta
>já tinha perdido as esperanças
>vi o lança-foguetes no chão
>a ultima coisa que Robert fez foi carregar ele
>meus amigos estavam morrendo bem na minha frente e eu não tava fazendo nada
>decidi agir
>peguei o lança-foguetes
>mirei
>atirei
>o inseto estava de costas pra ponte atirando contra meus amigos
>o míssil pegou em cheio
>com o impacto ele caiu sobre uma casa que veio abaixo
>as luzes do seu corpo piscaram
>pensei que tinha conseguido
>ele se acendeu e voltou a voar de novo
>veio com tudo em minha direção
>quando ele passou por cima do buraco da ponte a surpresa
>quase que voando o sentinela de Laura se agarrou a ele
>o inseto começou a rodar tentando se livrar do sentinela
>ela se segurava com uma mão e socava com a outra
>foi quando ela percebeu a hélice
>ela colocou o braço do sentinela no meio
>com um barulho enorme de metal se retorcendo a hélice se despedaçou
>junto com o braço do sentinela
>sangue azul espirrava pra todo lado
>de ambos
>o inseto continuou tentando voar mas foi em vão
>caiu com tudo no chão perto de mim
>Laura montou nele como montava em mim quando lutávamos
>começou a socar
>fez uma rachadura na blindagem do inseto
>ela enfiou a mão do sentinela e afundou
>começou a arrancar a parte de dentro
>parte por parte
>ela literalmente despedaçou o inseto
>isso com um só braço
>o inseto parou de funcionar
>o sentinela de Laura estava encharcado de azul
>o sentinela fez um barulho como um motor desligando
>as luzes dos olhos foram apagando lentamente
>corri até ele
>me pendurei e consegui chegar até as costas
> " Laura ! você tá bem ?!
> "Responde por favor ! "
>eu já estava chorando prevendo o pior
>percebi que o barulho dos tiros tinham acabado
>meu coração acelerou novamente
>será que meus amigos estavam bem
>fui até a ponte e gritei
>" Tem alguém ai ?! "
> "Eu preciso de ajuda !! "
>uma voz conhecida veio do outro lado
> "Hazard ?!"
> " O que aconteceu ai ?! " era Hashid
>"Laura ficou presa dentro do sentinela e acho que Robert tá morto"
>eu não conseguia segurar as lágrimas
> "Calma que vamos dar um jeito de chegar ai "
>fui até o Robert e tomei seu pulso
>graças a deus não estava morto
>mas tinha um corte feio na cabeça
>improvisei um curativo
>o pessoal que sobrou do outro lado da ponte usaram os carros pra dar a volta
>demoraram quase uma hora pra chegar até a gente
>15 pessoas saíram nessa missão
>voltaram só 5 do outro lado da ponte
>Hashid, Baltazar, Noah e Perséfone
>Perséfone fez um curativo descente na cabeça de Robert
>Hashid e Baltazar tentavam abrir em vão a cabine do sentinela
>Noah conseguiu fazer contato com a base pelo rádio
>mandaram um comboio vir nos buscar com alguns sentinelas
>os sentinelas tiraram os reatores do trem
>trouxeram dois caminhões de carga pra levar os reatores
>a missão tinha sido um sucesso
>mas foi com um custo alto
>mas segundo Baltazar eles não morreram em vão
>morreram pra nos ajudar a ganhar essa guerra
>já de volta a base eu só estava preocupado com Laura
>tiveram de usar maçaricos pra conseguir abrir a cabine
>ela estava machucada e sangrando
>levaram ela pra enfermaria
>no dia seguinte todos nós da equipe fomos visita-la
>ela estava no mesmo leito que Robert
>quando chegamos ela conversava com Hashid
> " Noah, você tá ai ? " ela disse
> " To sim Laura, pode falar "
> " Viu o tamanho daquela coisa ?"
>achei que ela estava delirando ou algo assim
> "Vi sim, e você se saiu muito bem, salvou a todos nós" disse Noah
> "Então, com certeza aquilo vale mais pontos"
> " Do que você tá falando Laura ? "
> " Eu ganhei a aposta ! "
APENAS AMIGOS
>três dias se passaram
>o pessoal quis fazer uma pequena reunião pra comemorar o sucesso da missão
>mas aqui tá cheio demais pra uma pequena reunião
>tá mais pra uma festa
>eu já tava meio bêbado
>sim, sem bebidas não era uma festa
>tinha comidas também
>nós estávamos em um dos dormitórios masculinos
>arrumaram uma mesa grande pra colocar todas as coisas
>eu nem sabia o que era aquilo que eu tava bebendo
>a verdade é que eu tava puto com a Laura
>fiquei aliviado por ela ter ficado bem depois de tudo mas tava foda de conviver com aquela indiferença
>ela estava num canto do dormitório conversando com Perséfone
>Perséfone era bem diferente quando não estava em missão
>o assunto entre elas parecia interessante
>elas riam e bebiam
>Robert parecia contar uma piada ou algo parecido
>boa parte das pessoas ouviam atentamente o que ele falava
>e conhecendo ele sabia que não era nada que prestava
>Hashid estava lá também
>ele tomava uma taça de vinho e fumava um charuto
>conversava com uma senhora muito bonita
>eu não conhecia muito bem as pessoas daqui
>só prestava atenção na Laura
>de repente me assustei com o barulho de risadas
>Robert tinha terminado sua piada
>tinha uma música tocando ao fundo mas eu não sabia identificar o que era
>alguns dançavam
>tivemos uma reunião ontem com todos da base
>fui apresentando ao Sr. Calisto
>Sr. Calisto era o comandante geral
>ele era o cabeça por trás do sucesso dessa base
>ele nos parabenizou pelo sucesso da missão e deu alguns detalhes sobre a próxima
>disse que o dia de retomar a cidade estava se aproximando
>e que retomando a cidade daríamos esperança pra nossos companheiros ao redor do mundo
>até o dia que organizaremos um ataque em massa por todo o globo contra os invasores
>o cara era bom com as palavras
>Sr. Calisto era um homem idoso
>apesar do nome ele tinha traços orientais
>disse que havia mais uma missão antes da retomada da cidade
>e era de suma importância pra haver uma próxima missão
>disse também que não poderia dar mais detalhes pra não cair nos ouvidos dos espiões
>todos riram
>mas eu achei que ele realmente estava falando sério
>fiquei pensando nisso desde que sai da reunião
>será que eles me escolheriam pra missão ?
>e o que eles iam fazer de tão importante ?
>acordei dos meus devaneios com o barulho de vidro quebrando
>o pessoal já estava muito bêbado
>Noah alternava beijos com um rapaz e uma moça
>corri os olhos pelo dormitório procurando pela Laura
>não achei
>com certeza ela deve ter ficado de saco cheio dessa gente toda e ido fumar sozinha no observatório
>meu orgulho me disse pra não correr atrás dela
>mas eu estava bêbado
>foda-se
>fui até lá
>cheguei na superfície e comecei a subir as escadas
>a noite estava linda
>como da outra vez
>vim andando lentamente
>Laura estava fumando no mesmo lugar
>mas agora ela estava de costas pro parapeito
>alguém saiu das sombras e a beijou
>fiquei em choque
>demorei alguns segundo a perceber quem tava beijando ela
>era Perséfone
>como assim ?!
>Perséfone e Laura ?!
>e ai eu entendi porque nenhum dos homens conseguiram alguma coisa com ela
>ela gostava de mulheres
>mas o que mais me espantou foi ver Laura beijando outra pessoa
>fiquei com raiva
>minha primeira reação foi sair dali
>deu uma passo pra trás e esbarrei numa prateleira velha
>fez um barulho danado
>elas se assustaram
> "Eu... err... me desculpem !"
>eu estava muito constrangido
>virei as costas e fui embora o mais rápido que eu podia
>eu estava com muita raiva
>ela só me usou pra se divertir e eu aqui criando expectativas
>fui pro meu dormitório
>estava vazio
>todos estavam na festa
>deitei na cama
>forcei o travesseiro contra o meu rosto
>estava com mais raiva de mim
>era óbvio que ela não ia querer nada sério comigo
>eu não conseguia nem me defender
>ela já tinha salvado a minha vida duas vezes
>porque ela ficaria com alguém fraco como eu ?
>ouvi batidas na porta
>devia ser Robert me procurando
>ignorei
>bateram novamente
>levantei pra atender
>tava pronto pra descarregar minha raiva em Robert quando abri a porta
>era Laura
>ela estava bêbada e tinha uma garrafa na mão
>"Laura olha só, eu quero falar uma coisa com você"
>ela pegou a minha mão e foi me puxando
>"Eu... É que..."
>Ela não falava nada
>ela me levava pela mão
>"Vou falar logo de uma vez !"
>"Eu gosto de você ! "
>"Na verdade eu sempre gostei"
>"Desde que te vi lá no farol"
>"Eu sempre tive medo de falar pra você mas depois... Depois daquele dia..."
>"Eu não paro mais de pensar em você e...."
>" Hazard cala a boca !" ela me interrompeu
>ela tinha me levado pra um lugar que eu não conhecia na base
>estávamos a frente de uma porta de madeira no final de um longo corredor com várias portas iguais
>ela abriu a porta
>ainda segurava minha mão
>ela me puxou pra dentro e fechou a porta
>era um quarto pequeno
>tinha uma escrivaninha no canto com um abajur de mesa
>uma estante com alguns livros
>e tinha uma cama grande
>e na cama estava Perséfone
>só de calcinha
>ela estava de cabelo solto caído sobre o rosto
>também aparentava estar bêbada
>ela tinha uma tatuagem que cobria metade do seu braço
>que eu não tinha percebido por só ter visto ela com roupas longas
>Laura me deu a garrafa de bebida
>sentou na cama
>começaram a se beijar
>eu estava zonzo por causa da bebida
>não tinha certeza se aquilo realmente estava acontecendo
>antes de Laura chegar eu estava deitado
>eu posso estar sonhando agora
>elas continuavam a se beijar
>Perséfone tirava a roupa de Laura enquanto a beijava
>o contraste de suas peles era mais notável com elas assim tão perto
>elas se acariciavam enquanto beijavam
>Perséfone fazia movimentos leves e delicados
>Laura a pegava com força
>elas já estavam nuas
>e eu me dei conta que eu não tava sonhando
>aquilo realmente estava acontecendo
>dei um belo gole na bebida e me juntei a elas
>Laura beijava meu pescoço
>Perséfone a minha boca
>Perséfone afagava meu cabelo
>Laura me mordia
>Persefone tirava minha roupa enquanto Laura me beijava
>eu fazia carícias em Laura enquanto ela beijava Perséfone
>ela pegava o cabelo cacheado de Perséfone com força
>o clímax chegou
>nós três estávamos em perfeita sintonia
>nossos movimentos eram sincronizados
>como uma orquestra
>e eu era o maestro
>já era de manhã
>acordei com um barulho de porta batendo
>Perséfone dormia do meu lado
>Laura não estava no quarto
>mais uma vez ela tinha ido embora
>ainda não tava acreditando no que tinha acontecido
>Perséfone era ótima
>mas aquilo só serviu pra eu gostar mais de Laura
>vesti minha roupa e saí do quarto
>passei no meu dormitório
>tomei um banho
>fui ao refeitório pra comer
>o dia foi como outro qualquer
>a noite chegou
>era hora do meu treino com Laura
>"Hazard, vou ficar te devendo um dia de treino" ela disse quando cheguei nos jardins
>"Ressaca ?"
> "Sim, ainda tô mal"
>silêncio constrangedor
>eu não sabia como reagir
>essa era a primeira vez que estávamos a sós desde que dormimos juntos pela primeira vez
>"Sabe, eu não lembro de muita coisa sobre ontem..." ela disse
>"Do que você se lembra ? "
>"Que a gente transou de novo"
>meu rosto corou
>"Não foi fácil convencer a Perséfone a fazer aquilo"
>"E você insistiu ?"
> "Haha, um pouco. Talvez" ela disse constrangida
>"Olha Hazard, vou ser sincera com você. Eu não to querendo me apegar a ninguém, sabe ?"
>"Eu já imaginava"
>"Não deu tempo de a gente conversar sobre isso, não quero que você se iluda"
>um pouco tarde pra isso, pensei
>"Não quero estragar nossa amizade"
>"Eu também não" eu disse
>"Então é melhor a gente ser apenas amigos mesmo"
>" É "
>ela me deu um beijo na testa e se levantou
>foi embora
>mais uma vez
>enquanto eu tava ali sentando ouvi um barulho muito forte atrás de mim
>me virei e vi o segundo sentinela cair pelo buraco no teto
MAU PRESSENTIMENTO
>acordei sozinha no meu quarto
>Laura e Hazard foram embora enquanto eu dormia
>que noite louca
>percebi que por debaixo do cobertor eu ainda estava nua
>me levantei e tomei um banho
>alguém bateu na porta
>era Baltazar
>ele me disse pra encontra-lo a tarde na sua sala
>chegando a hora marcada fui ao seu encontro
>na sala estavam Batazar, Sr. Calisto, Hashid e Noah
>"Perséfone, hoje a noite teremos uma missão muito importante e precisamos de você" disse Sr. Calisto
>eles me explicaram a missão
>os reatores que pegamos serviriam pra fazer uma bomba
>sim, eles iam explodir a cidadela
>mas pra completar a bomba precisavam de um dispositivo que era pra estar no trem
>mas por algum motivo não estava
>íamos até a cidade pra conseguir roubar esse dispositivo
>o grande problema é que recebemos a informação que só fabricavam esse dispositivo dentro da cidadela
>em uma grande oficina dos invasores
>bem perto de um dos grandes prédios que comandavam a cidade
>"Eu só tenho uma dúvida, como vamos entrar na cidadela ?" perguntou Noah
>"Hashid conte pra eles sua ideia" disse Sr. Calisto
> "É fácil, vocês vão virar guardas" disse Hashid
>" Entendi, vamos entrar disfarçados..." Noah falou
>e era esse o plano
>nos vestimos como os guardas, entramos na oficina pra pegar o dispositivo e vamos embora
>"E se eles não acharem o dispositivo nessa oficina Baltazar ?" perguntou Hashid
>"Meu informante me deu certeza !"
>" Esse seu informante já nos deus informações valiosas sobre a cidade, mas como ele pode saber tanto sobre a cidadela ?"
>"Ele é médico, ele trabalha dentro dos muros" disse Baltazar
>"Então está decidido, eu, Noah e Perséfone vamos nessa missão" disse Sr. Calisto
>"Tem certeza que quer ir ? Se algo der errado essa base não vai ser a mesma coisa sem o senhor..." disse Hashid
>"Sim filho, só eu reconheço esse dispositivo específico, eu preciso ir. Se o pior acontecer a base vai ficar bem com você e Baltazar no comando..."
>"Pra falar a verdade eu preferia não botar a vida de ninguém em risco, mas já estou muito velho pra lutar, esses dois vão ser meus guarda-costas" disse Sr. Calisto se referindo a Noah e a mim
>me senti honrada
>ser escolhida pra uma missão tão importante
>pena que vou junto com Noah
>eu odeio esse cara
>mas não era hora de de pensar nisso
>tinha que focar na missão
>assim que anoiteceu estávamos na superfície a espera de Hashid
>ele apareceu dirigindo um carro dos guardas
>"Tem um presentinho pra vocês lá atrás" disse Hashid tentando descontrair
>Noah abriu a parte de trás do carro e tinham 3 guardas mortos
>tiramos suas fardas
>eles eram parecidos com humanos
>mas tinham a pele acinzentada
>o nariz eram apenas duas fendas no rosto
>não tinham nenhum pelo nem cabelo
>olhos eram ligeiramente maiores que os nossos
>e eram arredondados
>os crânios pareciam ter um formato diferente
>eu nunca tinha visto como eles eram por baixo daquilo
>nos vestimos como eles
>eu não era muito alta
>a roupa ficou folgada em mim
>respirar por baixo daquele capacete era horrível
>e era muito quente
>saímos da base e fomos para a cidade
>chegamos lá o dia já estava amanhecendo
>eu estava com um mau pressentimento
>passamos pelas ruas sem problemas
>chegamos aos muros o sol já estava alto no céu
>a entrada da cidadela tinha duas torres de vigia e um portão
>na frente do portão ficava uma guarita
>chegamos e paramos na frente do portão
>vários stalkers, aquelas esferas voadoras que filmam as ruas, pararam em frente ao nosso carro
>eu suava frio
>se desconfiassem que éramos humanos poderiam simplesmente nos explodir ali mesmo
>eles nos filmaram por um tempo e saíram do caminho
>o portão se abriu
>Noah dirigia o carro enquanto Sr. Calisto estava no carona
>eu estava na parte de trás
>passamos pela guarita enquanto o guarda nos olhava
>entramos
>lá dentro era difícil de se guiar
>todas as construções pareciam iguais
>soldados andavam pelas ruas escoltando vários humanos em direção aos grandes prédios
>aquilo me deu raiva
>Noah dirigia devagar na direção em que o Sr. Calisto mandava ele ir
>mais soldados foram aparecendo
>tinha a impressão de que nos seguiam com os olhares
>quanto mais nos aproximávamos dos prédios mais soldados apareciam
>chegamos ao local
>a oficina estava bem na nossa frente
>estávamos cercados pelos soldados
>meu pressentimento estava certo
>caímos numa armadilha !

INVASÃO
>eu fiquei sem reação
>dois sentinelas inimigos tinham acabado de despencar do teto
>tentava entender o que tava acontecendo
>uma explosão bem próxima me fez acordar
>um sentinela me viu e começou a atirar
>eu corri em direção a saída
>não tinha como eu lutar
>passei pela porta e segui o corredor
>a parede atrás de mim desmoronou
>o sentinela entrou com tudo
>nunca corri tão rápido em minha vida
>cheguei no elevador
>o elevador era daqueles que eram abertos
>tipo elevadores de carga
>quando o elevador desceu a mão gigante do sentinela arrebentou a grade da porta
>o vão do elevador era pequeno
>mas foi o suficiente pro sentinela colocar o fuzil e atirar pra baixo
>as balas arrebentaram os cabos do elevador
>eu despenquei com elevador e tudo lá de cima
>minha sorte é que tinham amortecedores no fosso do elevador
>mas o tranco me sacudiu por inteiro
>saí do elevador meio cambaleante
>droga, tinha torcido o tornozelo
>estava no ultimo andar
>aqui não tinha ninguém
>nem rebelde nem invasores
>aqui era o onde ficavam nossos sentinelas
>uma pena eu não ser um piloto
>minha taxas de sincronismo eram muito baixas
>fiz o teste e falhei miseravelmente
>procurei por armas
>em todos os andares tinham pequenos depósitos de armas
>justamente pra situações como essa
>peguei um fuzil e fui
>enquanto eu subia as escadas mancando um barulho muito forte de explosão fez a base inteira tremer
>as luzes se apagaram
>luzes vermelhas de emergência se acenderam
>cada andar que eu subia eu ficava mais apreensivo
>não tinha absolutamente ninguém em lugar algum
>me passou pela cabeça que eu poderia ser o único sobrevivente
>não era possível
>mas eu não tinha certeza
>fui chegando nos andares mais próximos da superfície
>barulhos de tiros foram ficando mais intensos
>eu estava andando pelos corredores quando vi um pequeno grupo de SS's passando
>eu gelei
>eles passaram rápido e não me viram
>quando comecei a andar um deles voltou e me viu
>o corredor não tinha lugar pra se abrigar
>ele foi mais rápido e atirou primeiro
>eu não podia correr
>me joguei no chão e atirei
>acertei ele no capacete
>ele se desequilibrou com o impacto
>era minha chance
>atirei e consegui abate-lo
>levantei e corri o mais rápido que eu podia
>o tanto que dá pra correr com o tornozelo deslocado
>certamente os outros SS's ouviram o tiro e voltariam
>percebi que estava perto do quarto de Perséfone
>lembrei dela e fiquei preocupado
>talvez ela esteja no quarto
>achei a porta e entrei entrei com tudo
>um tiro passou bem do lado da minha cabeça
>meus ouvidos ficaram zunindo
>era Laura me apontando uma pistola
>"O que você tá fazendo aqui !?" falamos ao mesmo tempo
>"Você primeiro" eu disse
>"Eu... eu queria ver a Perséfone... Vi os invasores e entrei aqui"
>"Quer dizer que você também não sabe o que tá acontecendo ?!"
>"Vamos descobrir juntos"
>"Espera, cadê a Perséfone" eu disse preocupado
>"Também não sei, quando cheguei ela não tava aqui..." ela disse pensativa
>"Vamos, vamos mostrar pros invasores com quem eles se meteram" continuou
>confesso que com a Laura eu me sentia mais seguro
>saímos do quarto e andamos pelo corredor
>pegamos dois SS's pelas costas
>nem viram de onde vieram os tiros
>chegamos nas escadas
>"Hazard, eu vou descer. Tenho que pegar um sentinela"
>era o certo a se fazer mas eu não queria me separar dela
>"Tudo bem" eu disse
>"Vai pro saguão principal, nós encontraremos lá"
>ela beijou minha bochecha e sumiu
>o saguão ficava no primeiro andar, próximo a superfície
>os barulhos de tiros ficavam cada vez mais intensos
>cheguei ao saguão
>estava uma verdadeira guerra rolando ali
>mesas reviradas
>corpos no chão
>um sentinela jazia no chão abatido
>três ainda estavam ativos e lutando
>a porta por onde entrei dava pro segundo andar do saguão
>vários rebeldes estavam ali trocando tiro com os invasores
>o teto do saguão era todo de vidro
>deu pra ver uma sombra enorme se aproximando
>mas eu não dei muita bola
>estava ocupado tentando não morrer
>assim que eu entrei dei de cara com três SS's
>eles estavam muito perto não dava tempo de mirar
>e meu corpo reagiu sozinho
>chutei o primeiro no peito que se afastou
>o segundo tentou bater com a "mão de arma" em mim
>abaixei e dei um direto de esquerda tão forte que ele caiu
>o terceiro se preparava pra atirar
>peguei seu braço e levantei
>ele atirou pro teto
>pedaços de vidros estavam caindo sobre nós
>larguei ele e me joguei pra trás
>os vidros caíram e acertou ele e o primeiro que eu chutei
>ainda deitado atirei no que sobrou
>tentei levantar
>meu tornozelo estava pegando fogo
>mesmo com a adrenalina eu estava sentindo dor
>em meio a um grupo de rebeldes vejo um rosto conhecido
>"Hazard cuidado !!"
>era Robert
>ele estava com um braço engessado da outra missão
>com o outro ele apontava freneticamente com uma pistola pra trás de mim
>me virei a tempo de ver o vidro do teto se explodir e um daqueles insetos-máquina entrar no saguão
>me joguei no chão enquanto ele passava por nossas cabeças
>no momento em que o inseto deu a volta no saguão foi atingido por um míssil
>olhei da onde veio e vi Hashid com um lança-foguetes pendurado no ombro de um sentinela amigo
>era Laura
>e trouxe reforços
>cinco rebeldes estavam pendurados no seu sentinela
>todos carregavam lança-foguetes
>me lembrei da batalha do farol
>os rebeldes desceram e o sentinela partiu ao ataque
>o inseto não teve chance
>foi alvejado pelos lança-foguetes e caiu no meio do saguão jorrando sangue azul
>Laura correu pra cima de um sentinela inimigo próximo
>investiu contra ele com o ombro
>o sentinela caiu e foi alvejado pelas balas de Laura
>o segundo sentinela começou a atirar
>Laura tentou desviar mas foi atingida
>o sentinela cambaleou de lado
>um míssil acerta o sentinela inimigo
>nesse momento ele era alvo da maioria dos disparo dos rebeldes
>o resto dos tiros eram endereçados aos SS's que um a um foram sendo abatidos
>Laura recuperou o equilíbrio e descarregou seu fuzil no sentinela que caiu destruído
>o silencio reinou
>quando percebemos que tínhamos ganhado todos comemoraram
>o sentinela começou a se mexer novamente
>um compartimento em seu peito se abriu deixando cair uma pequena esfera de metal
>a esfera rolou e começou a brilhar
>um holograma gigante se fez no saguão
>nele mostrava Perséfone, Noah e Sr. Calisto presos em algum lugar da cidadela
>a imagem começou a ondular e se desfez
QUEM É VOCÊ ?
>"Isso não podia ter acontecido !" disse Hashid enfurecido
>"Isso com certeza foi uma armadilha, onde está Baltazar ?!"
>e era verdade, em nenhum momento da invasão ninguém o viu
>Sr. Calisto estava certo
>realmente havia um traídor
>Hashid contou sobre a missão secreta pra todos nós
>ainda estávamos no saguão sobre os corpos dos invasores
>o informante era amigo de Baltazar
>era muita coincidência ele insistir nessa missão e isso tudo ter acontecido
>mas ele não contava que nós realmente éramos muito bons soldados
>"Rebeldes, o tão aguardado momento chegou" Hashid começou com o discurso
>"Essa invasão foi só pra nos mostrar que eles sabem nossa localização e eles tem nosso líder em cárcere. Não temos outra escolha, vamos invadir a cidade !"
>algumas horas se passaram
>a base toda se prontificou
>sentinelas, helicopteros,carros e tanques de guerra foram acionados
>botamos nossos uniformes e preparamos nossas mochilas
>eu estava com um frio na barriga
>mas ver Perséfone presa me deixou com raiva
>Laura chorava enquanto preparava seu sentinela
>ela realmente estava preocupada com Perséfone
>isso me fez pensar o quão profundo era o relacionamento delas
>Hashid montou uma equipe especial com alguns cientistas e os melhores soldados
>os cientistas iriam recuperar o dispositivo
>Hashid e os soldados resgatariam Perséfone, Noah e Sr.Calisto
>sim, eles levariam a bomba e montariam em pleno campo de batalha
>o plano era simples:
>entrar na cidadela, pegar o dispositivo e resgatas os reféns e mandar tudo pelos ares
>o resto dos rebeldes iam apenas distrair os invasores
>já era de manhã quando saímos
>eu fui em um dos helicopteros
>mas uma vez estava controlando uma Antisent
>Laura e os outros pilotos foram marchando com seus sentinelas
>já estava avistando a cidade
>o céu estava cinza
>um vento gelado soprava
>começou a chover
>a ultima vez que choveu foi quando eles chegaram
>a 14 anos atrás
>tive um mau pressentimento
>já sobrevoavámos a cidade quando as explosões começaram
>projéteis vindos da cidadela explodiam por todo o céu
>vi vários helicopteros sendo atingindos e explodindo bem do nosso lado
>mesmo sem alvo comecei a atirar em direção a cidadela
>no chão a batalha estava feroz
>rebeldes e invasores tomaram as ruas
>os tanques atiravam contra os sentinelas inimigos
>nossos sentinelas destruiam as barricadas feitas pelos invasores ao mesmo tempo que lutavam com os sentinelas inimigos
>meu helicoptero começou a voar baixo
>vários insetos máquina sairam de um dos prédios da cidadela e viam em nossa direção
>tentei ajudar os rebeldes no chão
>atirava contra os sentinelas mas era dificil de mirar
>o helicoptero tremia muito e os sentinelas era ágeis
>"Vocês vão descer aqui, se eu chegar mais próximo vamos ser abatidos !" disse o piloto pra tripulação
>ele aterrisou no teto de um prédio próximo dos muros da cidadela
>eu e os outros rebeldes descemos e ele levantou voo e se juntou a luta aérea com os insetos
>sentinelas amigos estavam no topo dos prédios pra ajudar os helicopteros
>descemos o prédio
>chegando as ruas a batalha estava pior do que eu pensei
>um tanque atirava contra dois sentinelas que estavam próximos
>pegamos cobertura no tanque e fomos abrindo caminho entre os invasores
>eles eram muitos
>mas nós éramos mais competentes
>a chuva castigava a cidade
>um inseto passou voando baixo e atirou contra o tanque que explodiu nos deixando sem cobertura
>nos espalhamos entre as casas
>um grupo de SS's chegou
>a chuva atrapalhava a nossa visão
>enquanto trocávamos tiros um sentinela aliado caiu de um dos terraços bem no meio da luta
>eles tinham a vantagem no combate aéreo
>o sentinela caído serviu pra distrair os SS's
>avaçamos e conseguimos abate-los
>ja estávamos chegando perto dos muros quando um alarme na cidadela começou a tocar
>ao longe um jato se aproximava da cidade
>ele passou pela cidadela e deixou cair um artefato que eu não sabia o que era
>"Se protejam !!" gritou um rebelde
>me joguei no chão
>o artefato caiu do lado de dentro da cidadela e explodiu algumas construções e parte do muro
>a cidadela estava exposta
>todos os rebeldes seguiram em direção aos muros
>mas a resistência dos invasores era grande
>explosões eram ouvidas o tempo todo
>a cidade toda parecia chacoalhar
>dentro dos muros mais SS's aparecem
>os rebeldes que estavam comigo já estavam todos mortos
>por sorte me encontrei com a equipe que pegaria o dispositivo
>eles abriram caminho entre os SS's e entraram na oficina
>eu e mais alguns rebeldes ficámos do lado de fora pra defender os cientistas
>"Já pegamos, chamem o resgate !!" um dos cientistas gritou lá de dentro
>um rebelde pegou a mochila e tirou um rádio
>"Os cientistas estão prontos pra extração" ele disse
>ficámos ali alguns instantes lutando contra os SS's até o resgate chegar
>dois sentinelas chegaram e limparam a área
>um helicoptero de carga chegou e aterrisou
>rapidamente os cientistas subiram e bordo e o helicoptero decolou
>nós ficamos pra trás
>SS's apareciam de todos os lados
>"Hazard !" uma voz saiu do sentinela
>era Laura
>"Preciso de sua ajuda com uma coisa, sobe !!"
>ela me segurou com a mão gigante do sentinela
>ignorou os SS's e correu em direção aos prédios
>"O que você vai fazer ?!?" perguntei
>"Resgatar a Perséfone !!"
>eu me surpreendia toda vez que a via pilotando
>ela corria e atirava perfeitamente
>mais sentinelas apareceram
>inimigos e aliados
>ela entrou no prédio do meio com tudo
>junto com a parede levou alguns SS's
>apesar do esforço do exército inimigo, os rebeldes conseguiram invadir o prédio
>ela me botou no ombro do sentinela e continuou a correr
>a arquitetura do prédio era muito incomum
>era dificil se localizar lá dentro
>tudo era da mesma cor
>um azul escuro meio enferrujado
>tinham máquinas que eu não fazia ideia pra que serviam
>circuitos se espalhavam por todos os lados
>chegamos a um ponto que eu não sabia se estávamos subindo ou descendo
>SS's apareciam com frequência mas não tinham chances contra o sentinela de Laura
>achamos um tipo de elevador
>era pequeno demais pra caber o sentinela da Laura
>ela saiu e seguimos a pé
>o elevador começou a subir
>enquanto subiámos vimos como era a tecnologia dos invasores
>passamos por várias salas enormes que montavam seus sentinelas e daqueles insetos gigantes
>as salas eram muito grandes pra caberem dentro do prédio mas mesmo assim estavam ali
>vimos laborários e prisões
>as prisões eram exatamente como eu tinha sonhado
>lembrar disso fez minha cabeça doer
>chegamos ao topo em uma sala cheia de sentinelas
>era um tipo de armazém
>o andar todo era feito de um material transparente
>Perséfone não estava aqui
>" Droga !" disse Laura
> " Ei, ei, olha ali !! " falei apontando pra fora
>da onde a gente estava dava pra ver os outros prédios
>num andar um pouco mais baixo que o nosso no prédio da frente vimos a equipe de Hashid cercado por vários SS's e sentinelas
>"Temos que fazer alguma coisa !! " Laura disse
>"Até a gente descer e subir lá já vai ter sido tarde demais"
>ela começou a olhar envolta
>ela viu alguma coisa e correu até lá
>quando eu vi o que era eu entendi o que ela pretendia
>"Vem, me ajuda a subir. Eu tenho que tentar !"
>era um sentinela
>mas ele não era como os outros
>era uns 2 metros maior
>sua blindagem era ligeiramente mais robusta
>ele era vermelho e tinha apenas um único olho
>conseguimos subir
>Laura conseguiu abrIr a cabine
>"Vem, entra ! " ela disse
>a cabine era grande o suficiente pra caberem duas pessoas
>aparentemente era igual a dos nossos sentinelas
>ela sentou e começou a mexer nos botões
>o sentinela fez um barulho como um motor ligando
>Laura procurou e achou um tipo de capacete
>era os receptores neurais
>o sentinela ligou
>a cabine se ascendeu e mostrou todo o ambiente
>a cabine toda era como uma tela
>o sentinela tinha uma visão de 360 graus
>Laura colocou o capacete e mexeu nos comandos do sentinela
>nada aconteceu
>"Porque não tá funcionando ?!" eu perguntei
>"Droga, os nossos são adaptados pra humanos pilotarem. Esse aqui só devem funcionar com eles..."
>enquanto isso no outro prédio a equipe de Hashid ia caindo aos poucos
>lembrei de Perséfone
>lembrei de todo o sofrimento que eles me fizeram passar
>meu sangue ferveu
>me sentia impotente e única coisa que podia nos ajudar naquele momento não funcionava
>"DROGA !" falei dando um murro no lado da cabine
>pra minha surpresa o sentinela fez o mesmo movimento que eu
>Laura me olhou assustada
>"O que você fez ?!"
>"Eu não..eu não sei..."
>ela me olhava estranho
>ela tirou o capacete e botou em mim
>o sentinela reagiu
>"Quem é você ?!" ela disse
>eu estava tão assustado quanto ela
>"Agora não é hora disso, vamos ter que pilotar isso juntos !"
>"Vamos tente andar !"
>eu me concentrei e o sentinela andou alguns passou e caiu
>os cabos que o seguravam se soltaram
>"Vamos Hazard, não temos tempo !! "
>tentei refazer como da outra vez
>deixei as emoções tomarem conta e tudo flui
>o sentinela levantou
>" Vamos pular !! " Laura disse
>o sentinela começou a correr em direção ao vidro e pulou
>pela segunda vez eu e Laura entramos em sintonia
>atravessamos o vidros e caímos bem no meio da batalha de Hashid
>só agora que eu tinha percebido que esse sentinela não tinha arma
>agora eramos o alvo principal de todos os invasores no andar
>corremos em direção ao sentinela mais próximo
>pisando e chutando qualquer SS que estivesse na frente
>o sentinela inimigo atirava mas parecia não surtir efeito
>seguramos ele pela arma e puxamos
>com a outra mão demos um soco tão bem dado que a cabeça do sentinela se explodiu em sangue azul
>rodamos o corpo do sentinela e jogamos em cima de um outro que com o impactou voou pra fora do prédio
>tinha mais dois sentinelas a nossa frente e três em cima de uma plataforma mais afastada
>eram muitos tiros
>tentei pensar em alguma coisa pra pra ataca-los todo de uma vez e uma janela se abriu no painel da nossa cabine
>Laura olhou pra mim e apertou um botão na tela
>miras apareceram na nossa tela identificando os alvos
>o peito do nosso sentinela se abriu e mísseis saíram acertando todos os sentinelas
>" WOW !! " Laura comemorou
>eu me sentia muito poderoso
>era como se nada pudesse nós deter
>todos os inimigos foram eliminados
>olhamos ao redor e vimos Hashid caído
>descemos do sentinela e vimos que ele estava sangrando
>" Hashid, você está bem ?!" Laura perguntou
>Hashid se levantou
>"Sim, eu só... só estava descansando um pouco..."
>"Você está sangrando" eu disse
>"Sim, mas foi só de raspão. Não se preocupem comigo. Temos que achar o Sr. Calisto"
>eu o ajudei a se levantar
>"Vamos, eles devem estar por aqui por per...."
>um barulho muito forte o interrompeu
>era um barulho muito alto e agudo
>todos nós caímos tampando os ouvidos
>mas o mais estranho era que o barulho parecia vir de dentro da minha cabeça
>um dor muito forte se apossou do meu corpo
>era como se todos os meus receptores de dor estivessem sendo estimulados ao mesmo tempo
>eu me contorcia
>Laura e Hashid estavam no mesmo estado
>de repente senti meu corpo estranho
>era como se minha mente tivesse sido separada do meu corpo
>eu não enxergava mais nada
>imagens aleatórias tomavam conta da minha mente
>era como se eu estivesse em um espaço lisérgico
>o tempo mudava de cor e de consistência
>de repente tudo passou
>senti meu corpo se materializar
>estava em um lugar sem profundidade
>onde era tudo branco
>sentia meu corpo flutuar
>Hashid e Laura estavam do meu lado
>uma voz falou dentro da minha cabeça
>"Vocês... estão... nós dando... muito trabalho...."
>" O...tempo...de vocês...acaba...agora !"
>Hashid começou a levitar pra frente
>era difícil de enxergar mas eu consegui ver quem falava
>era um invasor
>ele era como se fosse um feto mal formado
>tinha uma enorme cabeça
>tentáculos saiam de suas costas e flutuavam ao redor de todo o ambiente
>sua pele era cinza e gelatinosa
>a presença dele fazia o tempo parecer líquido
>ele tinha um único olho totalmente negro
>Hashid parou e ficou levitando na sua frente
>um tentáculo saiu de seu corpo e perfurou Hashid bem no meio do peito
>eu quis gritar mas não consegui
>meu corpo todo estava dormente
>assim que ele tirou o tentáculo Hashid parou de flutuar e caiu ao seus pés sangrando
>ele ainda se mexia
>estava agonizando antes de morrer
>meus olhos começaram a lacrimejar
>lembrei do dia em que vi Hashid pela primeira vez e como ele tinha salvado minha vida
>senti meu corpo se mexer
>ele estava me puxando
>parei em frente a ele
>o mesmo tentáculo saiu do seu peito e me tocou
>"Você...você é um... dos nossos..."
>"Nosso..sangue... em suas veias..."
>Hashid começou a se mexer em baixo de mim
>eu nem prestei atenção na voz que invadia minha mente
>eu só estava preocupado com meus amigos
>Hashid tentava alcançar alguma coisa
>comecei a chorar de vez
>ver Hashid ali se apegando a vida tentando não morrer cortava meu coração
>ele pegou alguma coisa no bolso
>ele levantou a mão e puxou o pino
>era uma granada
>quando a explosão acertou o invasor o tentáculo que estava me tocando atravessou meu peito
>numa fração de segundos o mundo se materializou
>estávamos de volta ao prédio mais em outro andar
>o invasor na verdade estava ligado a enormes cabos
>e os cabos ligados a máquinas luminosas
>o impacto da explosão fez o invasor atingir as máquinas
>faíscas e eletricidade começaram a sair das máquinas
>Laura caiu no chão
>o invasor deu um grito e começou a brilhar como se estivesse pegando fogo
>raios saiam das máquinas e atingiam todo o andar
>um raio me acertou e minha mente fritou
NOSSO SANGUE EM SUAS VEIAS
>foi a pior sensação da minha vida
>apesar de todas as minhas habilidades eu me senti impotente
>ver Hashid ali morrendo na minha frente partiu meu coração
>agora é a vez de Hazard
>eu tentava me mexer mas meu corpo estava dormente
>de repente tudo explodiu
>o invasor atingiu as máquinas e começou a se desintegrar com uma luz muito forte
>me lembrou uma pequena supernova
>raios começaram a sair das máquinas luminosas e preencheram todo o ambiente
>um raio acertou Hazard
>quando o invasor foi atingido seus poderes sobre mim sumiram mas Hazard continuou levitando
>Hazard começou a brilhar assim como o invasor
>mais raios foram acertando ele
>ai eu percebi que ele que estava atraindo os raios
>como se ele sugasse a energia e a luz das máquinas
>a velocidade e a quantidade de raios foram aumentando cada vez mais
>até que a máquina apagou de vez e Hazard caiu no chão
>eu estava fraca mas consegui me arrastar até ele
>"Hazard, acorde por favor !" disse chorando
>o corpo de Hashid jazia perto das máquinas
>Hazard não respirava
>me debrucei sobre ele
>tentei fazer massagem cardíaca mas não estava dando certo
>Hazard estava morto
>e eu não podia ficar ali chorando
>eu tinha que ser forte e seguir em frente
>os rebeldes precisavam de mim
>peguei uma arma no chão
>enxuguei as lágrimas
>segui meu caminho
>"Eu vou acabar com eles, com todos eles ! Juro por Hashid e Hazard !! "
>dei uma olhada pelo lugar e vi uma luz vindo no final de um corredor
>segui até lá
>chegando vi três tubos grandes cheios de algum líquido
>cabos saiam de todo o lugar
>dentro dos tubos, três rostos conhecidos
>eram Sr. Calisto, Noah e Perséfone
>vendo os três naquele estado fiquei preocupada
>especialmente com Perséfone
>a gente já ficava a algum tempo mas depois disso tudo acontecer eu percebi o quanto eu gostava dela
>eu queria tira-los dali mas não sabia o que fazer
>pensei em apenas quebrar os vidros mas tive medo que pudesse prejudica-los
>escutei barulho de passos
>e eram muitos
>realmente agora eu não sabia o que fazer
>tiros foram disparados em minha direção
>eram os malditos SS's
>procurei um lugar pra ter cobertura
>enquanto eu corria milhares de tiros eram disparados
>pulei pra trás de um painel no canto da sala
>consegui dar uma olhada pra ver quantos eram
>não consegui contar
>eram muitos
>eu estava cercada
>meu fim tinha chegado
>e o pior de tudo é que não consegui salvar meus amigos
>aceitei meu destino
>lutar era desnecessário
>mas a esperança voltou na velocidade de um raio
>escutei um grito
>e de repente vários SS's foram jogados pelo ar com violência
>não tive coragem de olhar o que era
>a mesma coisa foi acontecendo com os outros até que não tinha sobrado nenhum
>com receio, quis ver quem tinha me salvado
>e pra minha surpresa era Hazard !
>meus olhos se enxeram d'água
>corri até ele e lhe dei um abraço
>"Você tá vivo !! "
>ele não esboçou nenhuma reação
>ele estava muito estranho
>ele levava a mão a cabeça como se sentisse dor
>"Hazard o que tá acontecendo com você ? Como você fez isso com os invasores ?"
>ele andou cambaleante em direção aos tubos
>ele mexeu no painel
>os cabos se soltaram e o liquido foi drenado
>"Como...como você sabe mexer na tecnologia deles ?" perguntei assustada
>ele continuava mudo
>me lembrei quando nós estávamos no sentinela
>de como ele conseguiu controlar ele
>eu não sabia mais o que pensar
>Hazard era um humano
>eu já cuidei de suas feridas várias vezes e nunca vi nada de anormal
>me lembrei das palavras que o invasor disse antes de furar seu peito
>"Nosso...sangue...em suas...veias..."
>me lembrar disso me deixou mais assustada
>o tentáculo daquela coisa atravessou o peito de Hazard, como ele poderia estar vivo ?
>ele caiu de joelhos
>segurava a cabeça com as duas mãos
>me aproximei dele
>olhei pra onde o tentáculo tinha atravessado
>a pele tinha se regenerado
>mas o sangue ainda estava espalhado pelas roupas
>e era azul
>a parede explodiu
>o impacto jogou a gente pro outro lado da sala
>levantei pra ver o que tinha acontecido
>Hazard continuou caído
>era um daqueles insetos
>voando do lado de fora do prédio
>nossos três amigos inconscientes estavam bem na mira dele
>eu não podia deixar mais ninguém morrer
>meu corpo reagiu sozinho
>corri em direção a eles enquanto atirava no inseto
>mas minhas balas eram ineficazes
>vi um compartimento se abrir em baixo do inseto
>já sabia o que viria depois
>quando os alcancei o inseto disparou
>senti o impacto e o calor da explosão
>fechei os olhos esperando minha morte
>mas nada aconteceu
>abri os olhos e vi que Hazard tinha entrado bem na frente do projétil
>mas ele estava inteiro
>ele botou a mão na cabeça novamente como se estivesse tendo uma forte dor de cabeça
>andou alguns passos
>esticou a mão em direção ao inseto e gritou
>eu não entendi o que aconteceu
>era como se uma onda de choque saísse do corpo de Hazard
>foi quebrando tudo a sua frente até atingir o inseto com violência
>a parte da frente do inseto se despedaçou e o resto foi lançado a vários metros de distância
>o som de um exercito de SS's chegando acordou nossos amigos
>" Laura !" Perséfone me chamou
>quando eu vi que ela estava bem desabei em lágrimas
>Sr. Calisto e Noah estavam desorientados
>"Vamos, nós temos que dar o fora daqui"
>os ajudei a se levantarem
>eu tinha que defende-los
>só eu estava armada
>procurei Hazard e ele tinha sumido
>voltamos pra sala onde o invasor feto estava
>Hazard olhava o corpo de Hashid quando os SS's nos alcançaram
>eles disparavam na direção do Hazard mas as balas não o acertavam
>era como se elas se desviassem ao chegar perto dele
>ele ainda olhava pra Hashid
>uma lágrima caiu pelo seu rosto
>ai eu reparei nos seus olhos
>eram tão azuis quanto dos invasores
>ele virou em direção aos SS's e fez um movimento de arco com o braço
>e sua vontade se materializou
>vários SS's saíram voando
>e os que restaram caíram com o impacto
>Hazard correu em direção a eles
>nós não tinhámos nada o que fazer e ficamos só olhando
>os tiros não o acertavam e ele partiu pra luta corpo a corpo
>ele socava e chutava, desviava dos golpes
>nunca vi alguém lutar com tantos adversários ao mesmo tempo
>percebi ali que ele sempre pegava leve comigo
>Hazard estava só brincando
>ele estava testando seus novos poderes
>ele poderia acabar com todos ali de uma vez como fez com o inseto mas não o fez
>os invasores perceberam que tiros não o afetavam e partiram de vez pra luta corporal
>os SS's foram se amontoando ao redor de Hazard
>ele não era capaz com todos juntos
>um SS's chegou por trás e o segurou
>Hazard se soltou e com seu poder jogou ele longe
>os invasores foram pulando em cima de Hazard tentando dete-lo
>uma pequena montanha de SS's se fez em cima de Hazard
>"Não podemos ficar aqui, vamos enquanto Hazard os distrai" disse Sr.Calisto
>eu queria ficar e ajuda mas eu não podia fazer nada
>a ultima coisa que eu vi foi Hazard jogar todos os SS's longe com uma onda de impacto
>descemos alguns andares
>o prédio sacudia
>era Hazard lutando
>mais SS's apareciam mas iam em direção a luta
>nos esgueiramos pelos corredores e passamos despercebidos
>corpos de rebeldes estavam espalhados por todo esse andar
>achamos um rádio e pedimos socorro
>um helicóptero viria nos resgatar
>Noah disse pra gente voltar a sala dos tubos
>seria mais fácil de sair pelo buraco na parede que o inseto fez
>voltamos e vimos o rastro da batalha de Hazard
>ele não estava mais lá
>mas pelos tremores eu sabia que ele ainda estava no prédio
>a chuva caia forte ainda
>um helicóptero de carga chegou com um sentinela aliado pendurado no esqui de pouso
>o sentinela nos pegou e colocou no helicóptero
>"Sr.Calisto já foi extraído, continuem com o plano" disse o piloto falando ao rádio
>me lembrei da bomba
>eles iam explodir a cidadela, mas Hazard ainda estava lá
>olhei da janela e vi nossas tropas recuarem
>"Não ! Hazard ainda está lá !! " eu disse
>" A ordem já foi dada, não podemos fazer mais nada " disse Sr. Calisto
>"Vocês não, mas eu posso !" eu disse
> "Laura !" Perséfone me chamou
>"Eu tenho que fazer isso, se não fosse por ele você não estaria aqui..."
>Perséfone me beijou
>abri a porta do helicóptero e desci até o sentinela
>bati na cabine e o piloto entendeu
>trocamos de lugar
>ele saiu e eu entrei
>ainda no sentinela vi uma parte da parede do prédio explodir e alguém cair lá de cima com muita força no chão
>era Hazard
>nossas tropas já tinham recuado
>ele caiu bem no meio do exército inimigo
>ele sangrava
>era a hora
>me soltei do helicóptero e cai bem no meio da batalha
>tinham muitos sentinelas inimigos eu ia ter que me livrar deles pra ajudar Hazard
>ele lutava de um lado com os invasores e eu de outro com os sentinelas
>os SS's não tinham chance alguma
>Hazard os mandava pelos ares apenas com um aceno de mão
>e os que sobravam eram atingido por seus golpes
>mais sentinelas apareciam e iam em direção a Hazard
>um chegou bem próximo
>Hazard levantou as mãos e o Sentinela decolou pro alto
>caiu no chão com muita violência e se quebrou todo
>ele apontou pra outro e fez um movimento de puxar
>o piloto do sentinela atravessou a blindagem atraído pelo poder de Hazard
>o sentinela caiu banhado de sangue azul
>insetos chegaram
>um atirou o projétil explosivo
>acertou Hazard em cheio
>ele voou e caiu no chão
>mas se levantou rapidamente
>ele começou a correr e pulou
>na verdade ele decolou
>bateu no inseto tão rápido que atravessou ele
>mas o que mais me impressionou foi ver que Hazard estava voando
>ele pairava no ar acima dos invasores
>enquanto isso eu já estava sem munição
>parti pra luta com os outros sentinelas
>o jato que outrora explodiu o muro da cidadela estava voltando
>e eu sabia que a bomba de agora seria muito mais forte
>de repente uma sombra enorme encobriu toda a cidade
>a chuva continuava a cair
>das nuvens um objeto de metal se projetava
>era muito grande
>tinha um formato triangular
>como uma pirâmide
>o tempo fechado, a chuva
>eu me lembrava daquilo
>no dia em que eles chegaram
>era a nave mãe !
ADEUS AMIGO
>a nave mãe encobriu toda a cidade
>era gigantesca e imponente
>ela bloqueou a chuva
>pairava sobre nossas cabeças
>um compartimento se abre
>um feixe de luz azul sai em direção ao chão
>uma máquina sai do compartimento e vem descendo suavemente pelo feixe de luz
>ela era um pouco menor do que os prédios da cidadela
>era uma espécie de tanque e tinha dois pares de pernas mecânicas
>duas de cada lado
>sua blindagem era robusta na junção entre as pernas e o tanque
>as pernas se alongavam entre fios e dispositivos hidráulicos
>isso tudo exageradamente grande
>o topo era realmente como um taque
>o canhão era curto e bem mais largo
>dois cilindros se projetavam nas laterais ligados por fios a dois grandes tubos na parte de trás que pareciam de oxigênio, como de mergulhadores
>o feixe de luz apagou quando a máquina estava próxima do chão
>ela caiu e encolheu as pernas soltando um tipo de vapor das juntas e voltou ao seu tamanho normal
>o jato se aproximava da cidadela
>o canhão da máquina se acendeu
>com um barulho robótico ela mirou em direção ao jato e atirou
>um projétil luminoso saiu do canhão e seguiu em direção ao jato numa velocidade muito grande
>o jato tentou desviar mas foi inútil
>o projétil se expandiu numa enorme esfera de energia luminosa azul e engoliu o jato
>o céu todo se clareou
>a nave mãe continuava sobre a cidade
>nós não tínhamos a menor chance
>nossa bomba foi destruída
>era hora da retirada
>não tinha como ganhar
>a tecnologia dos invasores era muito superior
>Hazard pareceu não notar o que estava acontecendo e continuava a lutar com os sentinelas
> "HAZARD !!" eu gritei
>ele pareceu não me ouvir
>meu sentinela já estava muito danificado
>eu não poderia lutar por muito tempo
>a máquina gigante me notou e veio em minha direção
>ela parou e fez um pequeno agachamento
>de baixo da sua base uma metralhadora aparece
>só deu tempo de eu correr
>um tiro daquela coisa ia partir meu sentinela ao meio
>eu não podia com aquilo sozinha
>precisava da ajuda de Hazard
>mas ele já estava tão longe que eu mal podia vê-lo
>um tiro acertou a perna do meu sentinela enquanto eu corria
>fui com tudo ao chão
>um fuzil de um sentinela inimigo estava próximo
>peguei e me virei de frente pra máquina e comecei a atirar
>era ineficaz
>ela se aproximava mais de mim
>chegando a uma certa distância mirou em mim
>o canhão se ascendeu novamente
>não tinha como eu fazer mais nada
>entrei em desespero e uma unica coisa veio em minha mente:
>"HAZAAAAAAARD !!"
>o espaço na minha frente começou a se distorcer
>pequenos raios saiam da distorção
>Hazard se materializou bem ali na minha frente
>a máquina disparou
>Hazard esticou as duas mãos em direção ao projétil
>a esfera de energia parou em pleno ar
>percebi que Hazard estava fazendo um enorme esforço
>a esfera de energia faiscava e espirrava um liquido com aparência de lava
>se movia lentamente como se o ar criasse uma enorme aderência
>eu queria ajudar mas meu sentinela parou de vez
>Hazard fazia muito esforço
>ele não estava conseguindo deter o projétil
>ele continuou segurando o projétil com uma das mãos e com a outra apontou pra mim e me olhou
>sangue azul escorria do seu nariz
>mesmo dentro do sentinela senti meu corpo todo ficar dormente
>era a mesma sensação quando estava em poder do invasor feto
>uma força jogou meu sentinela longe
>enquanto voava pra longe da batalha vi a explosão
>a enorme esfera de energia engoliu Hazard
>meu sentinela bateu contra a parede de um prédio fora da cidadela e parou
>tentei sair do sentinela
>meu corpo estava todo dolorido
>e meu braço doía muito
>muito provavelmente quebrou com o impacto
>consegui sair
>cambaleei até o chão
>um carro aliado passou por mim e me socorreu
>de onde eu estava eu via a máquina gigante
>e em cima dela, voando, estava Hazard
>ele estava todo ensanguentado
>e foi ai que eu percebi que ele tinha perdido parte do braço esquerdo
>ele respirava ofegante
>ele se encolheu e começou a tremer
>eletricidade começa a correr pelo seu corpo
>a máquina levanta o canhão e mira nele novamente
>dessa vez foi a metralhadora que disparou
>Hazard dá um grito tão forte que mesmo na distância que eu estava pude escutar
>o corpo todo de Hazard se ascende com eletricidade
>ele aponta sua mão pra máquina
>o espaço ao redor de Hazard começa a ondular
>um feixe de luz
>um raio atravessa o corpo da máquina deixando um rastro de espaço
distorcido
>mas nãos antes de acertar um tiro em Hazard
>com o impacto do raio a máquina cambaleia pra trás e cai com pequenas explosões pelo seu corpo
>até se explodir inteira já no chão
>Hazard cai
>o carro da a partida
>eu queria falar pros rebeldes ajudarem ele
>mas eu estava muito fraca
>um tiro daquela máquina destruiu a perna do meu sentinela
>Hazard não sobreviveria
>os rebeldes estavam batendo em retirada
>o exército inimigo avançava contra nós
>eu sabia que dessa vez era pra valer
>Hazard tinha morrido pra me salvar
>e minha ultima lembrança é da nave mãe sobrevoar a cidadela e disparar um feixe de luz azul em direção ao chão
>alguma coisa começa a flutuar em direção a nave
>parecia um corpo
>estava muito longe e meus olhos estavam quase se fechando
>Adeus amigo
>muito obrigado por tudo
>desmaiei
REENCONTRO
>o vento gelado entrava pela janela
>meu cigarro ainda estava pela metade
>Perséfone dormia sobre meu peito
>eu ainda me espantava como ela pegava no sono rápido
>nem as roupas ela colocava e já dormia
>mas era uma das poucas sensações boas que podia se sentir atualmente
>um corpo quente e nu pra te aconchegar
>já faz um bom tempo que a gente está nessa nova base
>antes de chegarmos aqui vagamos por um bom tempo
>de base em base
>foram poucas que sobraram
>a resistência estava quase no fim
>essa base era numa cidadezinha bem no interior do país
>tinha quase certeza que estávamos na Europa
>mas não tinha como saber de verdade
>a cidade foi cercada por muros
>metralhadoras Antisent e rebeldes vigiavam os portões
>desde que chegamos Sr. Calisto transformou esse lugar
>conseguimos roubar arquivos da cidadela 11
>melhoras foram feitas no nosso arsenal
>Sr. Calisto criou até um novo tipo de sentinela pra mim
>mas a vida continuava difícil
>a comida era escassa
>os recursos da humanidade estavam se acabando
>4 anos se passaram desde que perdemos a batalha na cidadela 11
>e não tem um dia que eu não pense em Hazard
>eu e Perséfone estamos juntas desde então
>e só estamos aqui hoje, juntas, porque ele se sacrificou pra que eu tivesse uma chance de sobreviver
>nós rebeldes estamos sendo caçados
>a mais ou menos 2 anos nossas bases começaram a ser invadidas e destruídas
>relatos de sobreviventes dizem que eles tem um novo tipo de soldado
>fora das poucas bases que sobraram os humanos estão vivendo em esgotos
>como animais
>pra não serem mortos
>o extermínio tinha começado
>um plano estava pronto pra entrar em ação
>todas as bases restantes iam se juntar e atacar a cidadela mais próxima
>queríamos chamar atenção
>fizemos uma bomba maior e mais potente
>vamos explodir a nave mãe !
>os últimos detalhes ainda estão sendo planejados
>no próximo mês vamos ao ataque
>isso se sobrevivermos até lá
>toda noite eu e Perséfone treinávamos artes marciais
>eu estava ensinando a ela
>"Laura essa coisa de luta é muito complicada pra mim..."
>"No começo é assim mesmo, com o tempo você aprende"
>"Acho que não, olha pra mim, não sou tão forte quanto você"
>"Pode ser, mas o estrago que você faz com uma besta na mão..."
>nos beijamos
>"Sabe o que eu to achando ?" ela perguntou sorrindo
>"Eu acho que você que não é uma boa professora"
>"Claro que não !" eu disse indignada
>"O meu ultimo aluno se saiu muito bem quando foi posto a prova..."
>"E quem era esse infeliz ? haha "
>minha alegria passou na hora
>"Hazard..."
>ficamos em silêncio por alguns segundos
>"Vamos pra casa, já está tarde..."
>aquela cidade me lembrava nossa antiga base
>era meio rural
>ao redor tinham muitas árvores e vegetações
>a maior parte do tempo fazia frio aqui
>a noite nossas luzes iluminavam os arredores
>não dava mas pra ser ver as estrelas e nem a lua
>a poluição na atmosfera já estava avançada
>perto da cidade tinham colinas com enormes cataventos
>a energia eólica ajudava a manter a cidade funcionando
>bem no centro da cidade tinha um relógio numa torre
>a construção era bem antiga mas ainda estava de pé
>a cada hora ele badalava
>e duas vezes ao dia, 12:00 e 00:00 ele badalava doze vezes
>já estava quase amanhecendo quando peguei no sono
>cada dia que passava era mais difícil
>não dava mais pra viver naquelas condições
>esse era nosso ultimo ato
>se fossemos morrer, morreríamos lutando
>o dia do ataque final se aproximava
>eu estava com o Sr. Calisto num dos armazéns onde ficavam guardados os sentinelas quando um rebelde chegou
>"Sr. Calisto, o senhor tem que ver uma coisa !"
>seguimos o rebelde até os portões da cidade
>um refugiado de outra base estava caído com alguns rebeldes em volta dele
>"O que aconteceu com você ?" disse Sr. Calisto ao refugiado
>"Nós... Nós fomos atacados !"
>"Eu andei por cinco dias até chega aqui. Eu tinha que avisa-los..."
>o homem estava ferido e muito sujo
>ele tirou uma coisa do bolso e entregou ao Sr.Calisto
>era uma espécie de pen drive
>"Eu era da inteligência, espionava a cidade 9, consegui roubar esses dados..."
>"Ai também tem dados de pesquisas dos nossos cientistas..."
>Sr.Calisto pegou o pen drive e andou até uma casa próxima
>os rebeldes levaram o homem até a enfermaria
>segui Sr.Calisto
>ele entrou na casa e ligou o pen drive a um computador
>ele olhou os arquivos e chamou a todos nós
>tinham dados sobre as tecnologia dos invasores
>era muita informação
>desde armas até o tanque gigante de quatro pernas
>um arquivo em especial me chamou atenção
>1711-SS Codinome [ Saturno] >"Achei alguns dados sobre esse tal novo soldado dos invasores..." disse Sr. Calisto
>ele ia passando as páginas
>tinham desenhos, esquemas, cálculos e gráficos
>eram informações muito técnicas eu não entendia muita coisa
>Sr.Calisto começou a entrar em contato com as outras bases
>ele explicava o que tinha acabado de descobrir
>os dias foram passando
>faltava pouco pra ultima missão
>o dia amanheceu com o alarme tocando
>acordei já procurando minha arma
>Perséfone ainda estava sonolenta
>olhei pela janela e vi a correria do lado de fora
>Perséfone preparava sua besta enquanto despertava
>lá fora os rebeldes preparavam as Antisent
>eu e Perséfone saímos de casa
>uma nave inimiga sobrevoava a cidade
>pequenas silhuetas sairam de baixo da nave e foram descendo lentamente
>chegando mais perto eu pude ver que estavam flutuando
>eram SS's
>e no meio deles uma figura desconhecida
>um soldado invasor
>ela era magro e vestia uma malha apertada por todo o corpo
>toda branca
>sua blindagem era como uma armadura
>protegia peito e ombros
>a blindagem do braço direito era como a dos braços dos sentinelas
>metade do seu braço esquerdo era totalmente robótico
>o capacete não tinha respirador como dos outros invasores
>era todo fechado, com placas de blindagem protegendo o rosto
>uma luz azul saia de dentro do capacete por um visor com três linhas em formato de "V"
>circuitos e linhas luminosas cruzavam por toda sua blindagens
>era o Saturno
>era ele quem estava controlando os SS's
>toda a base disparava em sua direção
>os tiros simplesmente não o acertavam
>ele continuava a descer lentamente
>a luz do sol refletia em sua blindagem branca
>mísseis foram disparados em direção a eles
>os mísseis passaram ao redor deles e voltaram contra nós
>chegando perto do chão eles caíram e começaram a atirar
>começou a correria
>os SS's avançaram atirando mas o Saturno ficou parado no mesmo lugar
>eu sabia que aquilo não era um bom sinal
>peguei Perséfone e me afastei
>ele abriu os braços
>seu visor a as linhas na blindagem começaram a brilhar mais forte
>uma onda de choque saiu de seu corpo e acertou tudo em volta
>vi vários rebeldes sendo jogando longe
>seu braço robótico começou a se mexer
>dois pequenos cilindros apareceram acima do seu pulso
>eram como dois canos de uma arma
>e realmente eram
>ele avançou pra cima dos rebeldes atirando
>ele parecia uma versão melhorada de um SS
>ele alternava os tiros com golpes corpo a corpo
>eu não estava acreditando no que eu estava vendo
>não era possível
>eu tinha que tirar a prova
>"Perséfone, temos que chegar mais perto !"
>"Você tá maluca ?! Ele vai fazer a gente voar como fez com os outros !!"
>"Não vai não, ele nem sempre usa os poderes. Perceba que depois de usar ele ataca com golpes ou atirando, nesse meio tempo é muito provável que ele deve recarregar as forças..."
>Perséfone me olhou assustada
>"Ainda assim acho muito perigoso, melhor você pegar o sentinela !"
>"Não, eu tenho que chegar perto dele !"
>"Porque você quer tanto se aproximar dele ?!" Perséfone perguntou indignada
>"Será que você não percebe ?!"
>Perséfone olhou bem pra Saturno e pareceu entender
>Saturno lutava contra os rebeldes
>SS's estavam próximos a ele
>Perséfone subiu em um telhado rapidamente
>mirou com a besta e começou a atirar contra os SS's
>eu dei a volta
>passei despercebida por todos
>estava esperando a hora certa
>não podia ser notada
>um SS surge do nada do meu lado
>antes de eu ter qualquer reação ele é atingido por Perséfone
>continuo na espreita
>um sentinela aliado surge de um armazém e vem em direção a Saturno
>era agora
>Saturno apontou a mão pro sentinela que começou a levitar
>Saturno fez um gesto de amassar com a mão e o sentinela obedeceu
>corri disparada em direção a ele
>ele estava de costas, nem ia ver o que o acertou
>preparei um chute e pulei
>ele mesmo de costas esticou a mão e segurou meu chute
>eu soltei minha perna e fui pra cima
>ele era rápido
>era difícil de acerta-lo
>ele era tão rápido quanto...
>o pensamento de antes voltou a minha cabeça
>ele deu um vacilo e eu o acertei um chute bem no peito
>ele caiu sentado e se levantou rapidamente
>eu não podia perder tempo, tinha que acabar com ele agora
>ele me chutou e abaixou a guarda
>eu sabia o que viria a seguir
>fui com tudo pra cima dele
>ele desviou e preparou um gancho tentando me pegar desprevenida
>eu abaixei rapidamente e lhe dei uma rasteira
>ele caiu de costas no chão
>e eu tive a certeza
>montei em cima dele e comecei a socar seu capacete
>minha raiva era tanta que minha mão sangrava muito e eu continuava a bater até que ele se rachou
>botei as mãos entre a rachadura e puxei
>o capacete se quebrou
>revelou a pior visão que eu poderia ter
>realmente era ele
>era o Hazard
>mas um Hazard totalmente deformado
>um rosto ossudo e sem vida
>sua pele branca de outrora não existia mais
>agora era cinza coma a deles
>não tinha mais nenhum pelo ou cabelo
>circuito saiam de um de seus olhos até o pescoço
>eu fiquei muito chocada com aquela visão
>como ele sobreviveu ?
>porque estava lutando contra nós
>eu só conseguia chorar
>ele abriu os olhos
>parecia que eu estava encarando um sentinela
>ele me segurou pelo pescoço e se levantou
>ele tinha uma expressão de raiva mas não apertava meu pescoço
>ele parecia fazer muito esforço
> "LAURAAAA !!" Perséfone gritou
>ela mirou em Hazard e atirou
>a seta pegou na lateral de seu tórax
>ele fez uma cara de dor e me soltou
>ele me olhava como se me reconhecesse
>levou as mãos a cabeça como se sentisse dor
>ele se afastou e levantou voo de volta a nave que ainda pairava sobre a cidade
>os lança-foguetes miravam nela
>antes dos mísseis a atingirem ela foi embora
>os poucos SS's que sobraram foram abatidos um a um
>eu estava ajoelhada
>ainda sem acreditar no que eu tinha visto
>Hazard estava vivo, e era nosso pior inimigo
A BATALHA FINAL
>amanhã era o dia da batalha final
>já estava tudo planejado
>as bases restantes iam se juntar a nós na luta
>íamos invadir a cidade 9
>mas o nosso alvo era a nave mãe
>os dados roubados da cidadela foram muito úteis
>aprimoramos nossas armas e nossos sentinelas
>poderíamos ter alguma chance real de ganhar agora
>ia ser minha primeira vez pilotando em combate
>já faz um tempo que Laura e eu estamos praticando no novo protótipo
>confesso que estou um pouco insegura
>tenho medo do que possa acontecer com a gente
>especialmente com Laura
>desde que Hazard, ou Saturno como é chamado agora, nos atacou ela anda meio distante
>peguei ela chorando algumas vezes
>sei que rolou algo entre nós três
>sei que Laura está viva hoje por causa do sacrifício dele mas hoje ele não é o mesmo de antes e deve ser tratado como um inimigo
>como qualquer outro
>realmente não sei se ela está preparada pra essa missão
>Laura sempre pareceu tão forte
>é a primeira vez que eu vejo ela tão frágil assim
>já estava anoitecendo quando eu cheguei em casa
>desde que chegamos aqui Laura e eu moramos juntas
>ela estava deitada na cama
>"Laura..."
>ela se virou e me olhou com os olhos marejados
>"Eu sei que está sendo difícil mas você não pode ficar assim, temos uma guerra pra ganhar. Hazard agora é só mais um deles você tem que aceitar isso..."
>meu rosto queimou
>Laura me deu um tapa
>"Como você pode falar isso ?! " ela disse com raiva
>"Eu não sei se você já esqueceu mas hoje se nós duas estamos aqui tendo essa conversa foi por causa que ele se sacrificou pra isso !!"
>"Quando você estava presa na cidadela eu pedi a ajuda dele, ele veio comigo sem nem mesmo perguntar !"
>"Ele te ajudou sim, mas eu não tive nada a ver com isso..."
>"Ele te ajudou porque simplesmente te amava. Só de ver como ele ficava perto de você qualquer um percebia..."
>Laura se levantou
>"Não ! Não foi só por isso !"
>"Ele era gentil, estava sempre pronto pra ajudar a qualquer um ..."
>ela começou a chorar novamente
>"Laura você tem que ser forte, isso é maior do que ele. Temos que lutar por toda a humanidade..." eu disse
>"Eu sei disso, mas é difícil pra mim... "
>"Eu já aceitei isso, mas o que mais me dói é saber que eu sou a única que pode detê-lo"
>pode parecer arrogância da parte de Laura mas era verdade
>Hazard tinha que morrer
>e seria pelas mãos de Laura
>ouço batidas na porta
>eu e Laura nos olhamos
>ela foi abrir
>era Sr. Calisto
*
>ainda era madrugada quando começamos a nos preparar
>Perséfone pegou sua besta e colocou pendurada nas costas
>seguimos em direção aos armazéns
>íamos pilotar o novo protótipo de sentinela
>ele era como o sentinela que eu e Hazard pilotamos na cidadela
>ele era maior do que os outros sentinelas
>devia medir por volta dos 10 metros
>devido ao tamanho era pilotado por duas pessoas
>Sr. Calisto estudou os projetos dos insetos gigantes e adaptou as turbinas para nosso sentinela
>agora nós voávamos
>sua blindagem era mais robusta e seu reator mais potente
>bem mais potente
>ele era a bomba
>Sr. Calisto foi na nossa casa ontem para nos dar os últimos detalhes
>ninguém ia desconfiar de um sentinela-bomba
>voaríamos até a nave-mãe e explodiríamos ela
>a cabine do nosso sentinela era ejetável
>então nosso sincronismo tinha que ser perfeito
>o plano era muito arriscado mas era o melhor que nós tínhamos
>e a chance de sairmos vivas dessa era bem pequena
>Sr. Calisto conversou comigo e com Perséfone
>estávamos ciente dos riscos mas aceitamos
>mas o problema maior era como chegaríamos a nave-mãe
>Hazard estaria lá
>e eu vi de perto o que ele fazia com seus inimigos
>estava tudo pronto
>o sinal foi dado
>todas as bases estavam prontas
>Perséfone e eu ativamos o sentinela
>um helicóptero de carga nos levava
>a cidade 9 era a mais tecnológica de todas
>imensos prédios arranhavam os céus
>a cidadela ficava quase que escondida entre eles
>invadiríamos a cidade por todos os lados
>os rebeldes viam de diferentes direções de diferentes bases
>antes da gente chegar o alarme soou
>a batalha começou no céu
>vários insetos apareceram
>nosso helicóptero foi atingido em cheio e explodiu
>nos soltamos a tempo
>antes de cair no chão ligamos as turbinas e pousamos em segurança
>as ruas já estavam tomadas
>eram mais rebeldes do que da ultima vez na cidade 11
>ver todos lutando juntos me deu esperança
>esse sentinela era muito grande
>eu tinha que tomar cuidado em não pisar em nenhum aliado
>a resistência invasora chegou e foi facilmente eliminada por nós
>os rebeldes tinham vantagem numérica
>seguimos lutando pelas ruas até chegar nos muros da cidadela
>lá vários tanques gigantes e sentinelas nos esperavam
>e o nosso sentinela era o alvo principal
>agora era pra valer
>assim que os inimigos foram avistados, os rebeldes começaram a disparar os mísseis
>começamos a disparar
>os sentinelas inimigos era abatidos facilmente por nossas balas e mísseis
>mas os tanques resistiam
>"Laura vamos atrai-los pra longe dos rebeldes senão vamos perder muitos soldados !" Perséfone falou
>concordei com ela
>corremos de lado atirando contra os tanques
>eram quatro
>apesar do tamanho das nossas balas não surtiam muito efeito contra os tanques
>eles pegaram a isca e foram nos seguindo
>eles atiravam com as metralhadoras e era muito difícil desviar
>corremos até um prédio próximo pra pegar cobertura
>eles vieram até nós lentamente
>espiei e vi um tanque carregando o canhão
>"Perséfone, assuma a mira !! "
>dei o comando e o sentinela correu o mais rápido que podia
>Perséfone atirava contra os pernas dos tanques
>como não tinha pensado nisso
>ali as blindagens eram mais fracas
>o tanque que carregava atirou a esfera de energia
>rolamos de lado e a esfera quase nos acertou
>explodiu com tudo bem atrás de nós
>com o sentinela ainda ajoelhado Perséfone atirou contra uma das pernas do tanque
>um vapor começou a sair
>estava funcionando
>os outros tanques começaram a atirar
>tive que ficar em constante movimento pra não sermos acertadas
>mesmo com tanto movimento Perséfone ainda acertava os alvos
>mais vapor saia dos buracos das balas nas blindagens do tanque
>era hora dos mísseis
>o braço do nosso sentinela se expandiu
>entre a junção do ombro com o tronco apareceu o compartimento dos mísseis
>disparamos contra o tanque mais próximo
>os mísseis seguiram em zigue e zague até acertarem o tanque
>ele cambaleou pra trás soltando muito vapor e desabou
>faltavam mais três
>nossos soldados entraram na luta
>das ruas eles chegaram com lança-foguetes
>os mísseis explodiam nos tanques
>nós continuávamos a atirar
>eles ainda resistiam
>alguns rebeldes foram em direção aos tanques
>se posicionaram bem embaixo de um e dispararam
>funcionou
>uma das pernas se soltou soltando vapor e ele caiu de lado
>um dos que sobraram carregou o tanque e mirou nos rebeldes
>por um momento eles tinham me esquecido
>corremos em direção a ele
>não ia dar tempo, ele ia disparar
>enquanto corríamos as turbinas foram acionadas
>com um pulo voamos
>demos uma investida violenta com o ombro no tanque
>apesar dele ser muito maior que o nosso sentinela, o impacto fez ele cambalear e bater contra o outro tanque e disparar
>a esfera de energia se expandiu e engoliu os dois tanques numa enorme explosão
>estava funcionando
>nós estávamos ganhando
>esse sentinela era realmente incrível
>antes de eu perceber um clarão muito forte nos atingiu
>caímos no chão com tudo
>eletricidade passava por nossos corpos
>eu já tinha visto aquilo antes
>quatro anos atrás
>era Hazard
>ele flutuava acima de nós com a sua mão estendida
>eletricidade ainda saia de sua mão
>sua armadura estava nova em folha
>Perséfone me olhou e eu entendi
>me surpreendi ao ver que nosso sentinela ainda estava inteiro
>levantamos e começamos a atirar
>com a mão ainda estendida ele refletia as balas
>começamos a recuar
>não poderíamos botar em risco o reator
>os rebeldes notaram a presença dele e começaram a atirar
>o espaço em volta de Hazard ondulou e ele se desmaterializou
>bem lá no alto o espaço ondulou novamente
>uma pequena esfera negra se formou
>pequenos raios saiam dela
>e como se saísse de um redemoinho a nave mãe se materializou
>gigante e imponente
>pairava a muitos quilômetro acima de nossas cabeças
>a hora tinha chegado
>vários compartimentos se abriram e mais tanques gigantes flutuaram para a batalha
>depois mais sentinelas e insetos
>alguns caíram perto de nós
>não ia consegui combater todos de uma vez
>os rebeldes continuavam lutando por toda a cidade
>nós já estávamos sem munição
>era hora de usar a invenção do Sr. Calisto
>um compartimento se abriu na perna do nosso sentinela
>puxamos e ativamos
>era um cilindro de metal um pouco maior que a mão do nosso sentinela
>ao ativar uma lâmina se projetou pra fora do cilindro
>a lâmina começou a vibrar em alta velocidade e se aqueceu mudando de cor
>avançamos em meio aos tiros pro tanque mais próximo
>com um pulo alcançamos umas das pernas e cravamos a lâmina
>era como se o tanque fosse feito de manteiga
>a lâmina passou direto cortando tudo
>sem uma das pernas ele desequilibrou e caiu
>pulamos até a base e cortamos ao meio
>Sr. Calisto era um gênio
>aquilo realmente funcionava !
>continuamos a desviar dos tiros e cortar mais algumas pernas dos tanques
>eles eram lentos mas eram poderosos
>um vacilo e a gente botava o plano todo a perder
>só faltava mais um tanque
>corríamos entre os tiros
>com um impulso das turbinas alcançamos a base do tanque
>um corte em arco abatemos o tanque
>Hazard se materializou bem na nossa frente
>a nave mãe ainda pairava sobre nós
>não tinha mais inimigos próximos
>era hora de enfrentar meu amigo
>"Vamos Laura, temos que fazer isso !" Perséfone disse
>ela tinha razão
>fomos com tudo pra cima de Hazard
>ele estendeu a mão em nossa direção
>e a obra prima de Sr.Calisto se completou
>Perséfone ativou o sistema anti-gravitacional
>o nome era irônico, o sistema nos mantia bem firme no chão
>Sr. Calisto criou pensando em anular os poderes de Hazard
>e conseguiu
>nosso sentinela continuou a correr em sua direção
>sua surpresa foi tanta que por pouco não conseguiu se desviar da lâmina
>ele recuou desviando dos nosso golpes
>mas não foi rápido o suficiente
>acertamos um chute e ele foi lançado contra o chão
>ele levantou e olhou ao redor
>fomos pra cima dele novamente
>ele olhou pra um carro próximo a ele e apontou em direção a nós
>o carro obedeceu e veio em nossa direção em alta velocidade
>não deu tempo de desviar
>acertou em cheio no peito de nosso sentinela
>a cabine inteira se sacudiu
>caímos de costas no chão
>tentei levantar e não consegui
>olhei pra Perséfone e ela sangrava
>estava desacordada
>tinha batido a cabeça
>"Perséfone ! Acorde por favor !" eu falava enquanto tentava me soltar da cabine
>senti meu corpo todo adormecer
>de novo aquela velha sensação
>senti minhas moléculas se separarem uma a uma
>minha mente evaporou
>eu não sabia onde eu estava
>eu não sentia meu corpo
>era como se eu tivesse perdido minha forma física
>eu era apenas um pensamento
>uma ideia
>uma sensação
>vozes ecoavam por todos os lados
>imagens aleatórias se formavam e desapareciam instantaneamente
>eu não me sentia mais eu
>eu era parte de uma coisa maior agora
>uma pequena célula que forma um corpo
>uma estrela qualquer de uma galáxia distante
>tudo começou a se juntar
>inclusive eu
>percebi que não eram imagens aleatórias
>eram memórias
>tentei me concentrar
>vi uma mulher
>era ruiva e linda
>todas as vozes sumiram e a única que continuava a soar era a dela
>de repente todo o lugar é tomado por imagens dessa mulher
>quem era ela ?
>eu a conheço
>o jeito que ela falava me fazia sentir melhor
>quando ela me tocava eu me sentia especial
>e quando ela me beijava...
>a sensação era inexplicável
>eu tinha que me concentrar
>eu tinha que me concentrar !
>espera um pouco
>essa mulher
>sou eu !
>eu estou me vendo de outra perspectiva
>essas sensações e pensamentos não são meus
>Hazard...
>era assim que ele se sentia o tempo todo
>tudo mudou
>comecei a sentir raiva
>muita raiva
>eu estava preso
>muitos cabos estavam ligados a mim
>eu sentia muita dor
>tudo mudou
>vi Hashid morrer outra vez
>uma culpa enorme por isso me tomou
>senti meu braço queimar
>senti meu peito sendo perfurado
>eu era muito poderoso
>eu matava várias pessoas
>mas eu não queria fazer isso
>eu via de fora meu corpo reagir sem poder fazer nada
>tudo ficou escuro
>abri os olhos e vi aquela mulher de novo
>ela chorava
>segundos antes eu tentava matar ela
>agora eu não sabia o que fazer
>uma voz na minha cabeça mandava eu matar
>mas eu não queria
>resistir era difícil
>meu coração acelerou como o da mulher
>comecei a sentir tudo que ela sentia
>eu voltei a ser eu
>Hazard sofreu tudo isso por mim
>eu percebi que era uma via de mão dupla
>ele também sentia tudo que eu estava sentindo
>e depois disso tudo
>só agora eu percebi
>eu amava o Hazard !
>se eu sentia isso ele também sentia
>tudo começou a clarear
>e a ultima coisa que senti foi a emoção quando vi aqueles olhos verdes pela primeira vez
>"Laura ! Laura !"
>alguém chamava por mim
>senti meu corpo sacudir
>meu corpo estava tão relaxado que eu poderia simplesmente ficar ali pra sempre
>alguma coisa explodiu bem próximo
>eu acordei
>Perséfone estava em cima de mim chorando
>sua cabeça ainda sangrava
>" Laura, graças a deus você está bem !"
>e me abraçou com força
>olhei ao redor
>estávamos em cima do nosso sentinela caído
>Noah e Robert estavam junto da gente
>"Vocês... Vocês estão vivos !!" eu disse com surpresa
>"Sim, haha" disse Robert
>"Faz tempo desde a ultima vez que nos vimos, a gente deve ter ido parar em bases diferentes..."
>"Eu quero saber mesmo como a gente veio parar aqui... " disse Noah pensativo
>"Eu também não sei o que aconteceu, eu me lembro de estar dentro do sentinela com Laura e quando dei por mim já estava aqui fora com todos vocês..."
>"Hazard... Foi ele que nos trouxe aqui !"
>"E porque ele faria isso Laura ?" Noah perguntou
>"Depois de todo esse tempo sendo apenas um novato que sempre precisou de ajudar pra não morrer, ele quer que a gente testemunhe..."
>"O que exatamente ?" perguntou Noah
>" Que ele sozinho vai salvar nosso planeta !!"
>um raio cortou o céu seguido de uma explosão
>um tronco deformado de um sentinela inimigo caiu bem ao nosso lado
>Hazard estava lutando na cidadela
>eu e Perséfone subimos no sentinela
>pegamos Noah e Robert e fomos em direção a batalha
>no caminho milhares de corpos de invasores pelo chão
>chegamos na cidadela
>todos tinham percebido a traição de Hazard
>ele lutava sozinho contra um exercito inteiro
>milhares de SS's e sentinelas
>mais tanques saíram da nave mãe que começou a levantar voo lentamente
>Hazard atirava com seu braço robótico e desferia golpes enquanto carregava seus poderes
>sentinelas inteiros eram desintegrados em segundos
>Hazard era muito poderoso
>os tanques se aproximaram atirando com as metralhadoras
>Hazard retrucou com uma onda de impacto jogando o que tivesse ao alcance pelos ares
>mais tanques e sentinelas apareciam de todos os lados
>ele estava ficando cercado
>Hazard começou a brilhar
>eletricidade voltou a passar por todo o seu corpo
>um tanque se aproximou e foi atingido por um raio
>Hazard continuou a brilhar
>sentinelas inimigos tentavam chegar perto mas eram atingidos pelos raios antes de conseguirem
>um tanque disparou uma esfera de energia
>e eu voltei a quatro anos atrás
>Hazard segurou a esfera com seus poderes
>mas agora ele estava mais forte
>atirou a esfera de volta ao tanque
>a esfera de energia se expandiu e engoliu vários inimigos
>Hazard mostrava sinal de cansaço
>ele decidiu acabar de vez com a luta
>ele flutuou bem acima dos inimigos
>estendeu seus braços
>as luzes de sua armadura brilhavam mais fortes
>uma força descomunal começou a atrair tudo que estava no chão para o alto
>carros, prédios, invasores, sentinelas, tanques...
>tudo era atraído
>os rebeldes perceberam e já tinham recuado para as ruas mais afastadas
>a cidadela inteira foi sugada
>a terra tremia
>chegando a certo ponto no ar tudo que era atraído começava a se desintegrar deixando apenas poeira
>olhando lá de baixo entendi o porque do seu codinome
>ele pairava no ar bem no centro de um enorme circulo feito de poeira e escombros
>era como Saturno e seus anéis
>"Laura, a nave mãe..." Perséfone me alertou
>ela já estava muito alto
>por uns instantes tinha esquecido nossa missão
>deixamos Robert e Noah em segurança
>ligamos as turbinas e decolamos
>a nave mãe já estava longe mas não poderíamos deixar ela escapar
>ela já estava a muitos quilômetros acima de nós
>mas uma nave em forma de pirâmide daquele tamanho não era fácil de perder de vista
>do alto a vista dos poderes de Hazard era ainda mais magnífica
>a nave mãe começou a subir com mais velocidade
>insetos gigantes saíram dela e vieram em nossa direção
>se parássemos pra lutar não conseguiríamos alcançar a nave mãe
>nossa lâmina já estava preparada
>o primeiro inseto veio se aproximando
>quando chegou perto o suficiente ele se explodiu em sangue azul
>Hazard o atravessou como uma bala
>estávamos ali
>voando lado a lado em direção a nave mãe
>ele voou na frente e começou a atirar
>os insetos iam sendo eliminados um a um
>o céu já estava ficando escuro
>estávamos saindo da Terra
>nosso sentinela não tinha reserva de oxigênio
>tinha que ser agora
>"HAZARD !" eu gritei
>e ele entendeu
>ele voou pras costas do nosso sentinela
>agarrou nele e aumentou a velocidade
>nós estávamos voando muito rápido
>estávamos chegando perto
>uma luz brilhou na nave mãe
>um raio de energia nos acertou em cheio
>metade de baixo do nosso sentinela foi destruída
>o alarme de dentro da cabine começou a soar
>o reator foi comprometido
>nós falhamos
>o reator ia explodir
>a nave mãe tinha conseguido escapar
>não via Hazard em lugar nenhum
>era nosso fim
>Perséfone e eu demos as mãos
>Hazard apareceu e segurou em nosso sentinela
>ele levantou uma das mãos e o reator do nosso sentinela se materializou acima dele
>o alarme parou de tocar
>nosso sentinela começou a usar a energia reserva
>Hazard segurou o enorme reator com apenas uma mão e voou em direção a nave
>enquanto nós caiamos em direção a Terra vimos Hazard lançar o reator em direção a nave
>mas ele já estava comprometido
>não ia ser suficiente pra acabar com a nave mãe
>o reator atingiu a nave mãe e a atravessou
>Hazard começou a brilhar mais uma vez
>tanto quanto o sol
>ele mirou a nave mãe e disparou
>uma quantidade absurda de raios saiu do corpo de Hazard
>atravessaram o espaço sideral e atingiram com tudo a nave mãe
>a nave mãe sucumbiu em uma esfera de energia gigante
>explodiu
>nós já estávamos distantes da nave mãe e o impacto da explosão nos acertou com tudo
>a esfera de energia não parava de crescer
>tudo que estivesse próximo foi engolido
>inclusive Hazard
>entramos de novo na atmosfera da Terra junto com os destroços da nave mãe
>o que restou do nosso sentinela estava em chamas
>tudo tremia e girava
>Perséfone ainda segurava minha mão
*
>acordei com o barulho de água
>a luz do sol entrava por vários buracos
>da cintura pra baixo eu tinha água pelo corpo
>tateei pela cabine procurando por Perséfone
>não achei
>me livrei das ferragens da cabine
>havia um buraco enorme na lateral do sentinela
>consegui sair
>subi no peito do sentinela que boiava
>Perséfone estava sentada na cabeça do sentinela
>" Ei ! "
>ela olhou pra trás
>quando viu que eu estava bem sorriu pra mim
>nós abraçamos
>"O que aconteceu ?" eu perguntei
>"Não tenho certeza, o importante foi que nós sobrevivemos"
>no céu pedaços da nave mãe ainda caiam como estrelas cadentes
>ficamos dois dias a deriva no mar até um barco nos achar
>o barco era de uma base rebelde que ficava numa plataforma de petróleo
>fomos devidamente cuidadas
>eles nos disseram que sem o comando da nave mãe a guerra não durou nem um dia
>pouco a pouco estávamos retomando nosso planeta
>um ano se passou
>a guerra tinha acabado
>mas continuamos alertas
>a tecnologia que eles deixaram nos serviu pra muita coisa
>pouco a pouco estamos reconstruindo nossas cidades
>mulheres voltaram a ter bebês
>nem todas
>eu e Perséfone continuamos sendo um casal
>Sr. Calisto virou um dos líderes mundiais
>junto com outros cientistas das bases que sobraram
>voltamos a ter um governo
>voltamos a viver uma vida digna
>finalmente o pesadelo tinha acabado
>não tive mais notícias de Noah nem de Robert
>mas não há duvidas de que estão bem
>Hazard nunca mais foi visto
>muitos acreditam que ele ainda vai voltar
>minha ultima lembrança dele foi ver ele destruindo a nave mãe
>mas eu prefiro cultivar as lembranças boas
>nossos dias na base
>que pelo menos por alguns momentos a gente se entregou um ao outro e nos amamos de verdade
>hoje eu tenho um enorme sentimento de gratidão
>os invasores podem voltar a qualquer momento
>nós nunca vamos estar preparados pra outro ataque
>nosso planeta continua desprotegido
>ainda mais agora sem Hazard
>mas eu sei
>eu sinto
>bem la fundo
>Hazard ainda olha por nós
>mesmo depois de tudo
>nossa vitória ecoa por tudo o universo
>agora todo mundo sabe
>do que os humanos são capazes !
FIM.

gt do hazard

1 comentário em “gt do hazard

  1. 20 de junho de 2018 às 14:59

    Muito foda cara!!!!!!!!!!!!

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